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PORQUE A MODÉSTIA INCOMODA TANTO NOS DIAS ATUAIS?

quarta-feira, 26 de agosto de 2015


Salve Maria Imaculada!

Carta de orientação do nosso fundador Hélio Maria.

Queridas filhas, eu como vosso pastor não por minha própria vontade, mas por vontade e eleição de Deus, quero vos orientar sobre as dificuldades que vocês enfrentam por querer viver a virtude da modéstia, já que tenho esta missão que me foi dada pelo Senhor: “Velai sobre o rebanho de Deus, que vos é confiado” (1Pe 5,2). 

Como já é de se notar, a modéstia no vestir tem incomodado a muitos...... E isto pode vos levar a um questionamento: Porque que a modéstia incomoda tanto nos dias atuais? A resposta é bem simples. Quando vocês eram do mundo e se vestiam como as outras mulheres do mundo, não havia queixas e nem criticas por parte delas, mas, uma vez que vocês abraçaram a fé e renunciaram a forma com que se vestiam, vocês se tornaram causa de piadas e chacotas. O primeiro fundamento que poderia vos dar é o que diz o apostolo São Pedro: "Estranham eles agora que já não vos lanceis com eles nos mesmos desregramentos de libertinagem, e por isso vos cobrem de calúnias" (I Pd 4,4). Este sem dúvida seria um dos primeiros motivos da modéstia ser tão odiada nos dias atuais. Afirma Santo Afonso Maria de Ligório: "Os que levam uma vida perversa não podem ver que os outros vivam santamente, porque a conduta destes é uma reprovação perene de seu perverso proceder". Tem razão o santo ao dizer isso, pois na Sagrada Escritura encontramos este fundamento: "Sua existência é uma censura às nossas ideias; basta sua vista para nos importunar. Sua vida, com efeito, não se parece com as outras, e os seus caminhos são muito diferentes" (Sb 2, 14-15).

Uma vez que agora vocês não se vestem mais de uma maneira impudica acaba incomodando aqueles que se vestem: "O impudico, que se gaba de suas imprudências e não sabe conversar sem tocar em coisas sujas, gostaria que todos agissem e falassem como ele. E quem assim não procede é acoimado por eles de traidor, de inculto, de pessoa trivial e insociável, sem sentimento de honra, se educação, o que não é para admirar, pois, sendo eles deste mundo, não conhecem senão a linguagem deste mundo" (Santo Afonso Maria de Ligório). É bem isto que acontece, os que se vestem de maneira impudica gostaria que todos se vestissem como eles, e como isto não acontece e por eles estarem levando uma vida ímpia, acabam abominando a vossa forma de viver: "O ímpio abomina aquele que anda pelo caminho certo" (Prov 29, 27).

Eis aí mais um dos motivos pelos quais os mundanos criticam, perseguem, atacam e cercam aqueles que querem fazer a vontade de Deus e que lutam para viverem de maneira santa. É como nos diz o Espírito Santo através do autor inspirado: "Cerquemos o justo, porque ele nos incomoda; é contrário às nossas ações; ele nos censura por violar a lei e nos acusa de contrariar a nossa educação" (Sb 2, 12). Esta censura e acusação muitas vezes não acontece por palavras, mas sim, como já citamos acima no livro da Sabedoria: "Sua existência é uma censura às nossas ideias; basta sua vista para nos importunar". Só a presença da modéstia no meio do mundo já é uma censura e acusação. É como costumo dizer, a modéstia é como um espelho, basta olhar para ela que veremos a nossa imodéstia.

Pois bem, não deixe que as criticas e os falatórios vos desanimem. Sabeis que é a Deus que vocês devem agradar e não ao mundo: "Por acaso tenho interesse em agradar aos homens? Se quisesse ainda agradar aos homens, não seria servo de Cristo" (Gl 1, 10). Olhai para a Santíssima Virgem e deixai que Ela seja o seu modelo, sejam como Ela em tudo, no andar, falar, rezar, olhar, vestir etc. E não tenhais medo de dar o seu tudo por Aquele que deu o seu tudo por nós. As criticas longe de nos atrapalhar, nos ajuda a entender que estamos no caminho certo.

"Pois todos os que quiserem viver piedosamente, em Jesus Cristo, terão de sofrer a perseguição" ( II Tm 3, 12).

Att: Hélio Maria, inútil escravo da Santíssima Virgem.


Fonte: Sagrada Escritura, Livro: Escola de perfeição cristã - Santo Afonso Maria de Ligório

Papa Bento XV fala sobre moda

quarta-feira, 6 de maio de 2015



Salve Maria Puríssima!

Alguns trechos de um discurso do Papa Bento XV onde ele fala sobre moda, vestuário e modéstia!
Consegui estes trechos com Julie Maria. Os grifos são dela. A Tradução é de Anna Amato.

Papa Bento XV
Sabemos que certas modas de vestir, que entram hoje em uso entre as mulheres, são danosas ao bem da sociedade como aquelas que provocam o mal e de outro lado nos enche de assombro e estupor ao ver que quem proporciona o veneno, parece desconhecer a ação maléfica como quem incendeia a casa parece ignorar a força destruidora do fogo. Somente a suposição de tal ignorância, possibilita a explicação desta deplorável extensão que a moda pegou, hoje em dia, tanto contraria à aquela modéstia que deveria ser o ornamento mais belo da mulher cristã; sem a supra dita ignorância, parece-Nos que nenhuma mulher teria podido chegar ao excesso de usar vestidos indecentes, até ao aproximar-se dos lugares sagrados, ou apresentar-se diante de mestres da moral cristã.
Oh! com qual satisfação entendemos que as aderentes da União Feminina Católica, escreveram no programa, o propósito de mostrar-se honestas também na maneira de vestir. Fazendo isso, sentindo de seguir um dever de não dar escândalo mas de dar exemplo aos outros, demonstrarão de ter compreendido que a missão delas no mundo foi alastrando-se e devem dar o bom exemplo, não somente dentro das paredes domésticas, mas também no meio das ruas publicas e nas praças. Nós gostaríamos que as mulheres católicas, sentissem além da obrigação individual, o dever social e Nós gostaríamos que as mulheres católicas hoje aqui reunidas diante de Nós se juntassem para combater as modas indecentes não somente entre elas mas que esse trabalho possa alcançar pessoas e famílias.
Seria supérfluo dizer que uma boa mãe não deve permitir que as filhas cedam às falsas exigências de uma moda não muito apropriada, e quanto mais elevado for o lugar que essa ocupa tanto menos deve tolerar de que quem vai visitá-la ousa ofender a modéstia com a indecente maneira de vestir. Uma advertência impediria no futuro a audaz impertinência de transgredir os direitos de hospitalidade.
Original aqui.

Fonte: https://rosamulher.wordpress.com/2009/10/01/papa-bento-xv-fala-sobre-moda/


A origem das vestes

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Salve Maria Puríssima!

É importante preocupar-se com a forma de se vestir? 

No Livro de Gênesis no Cap. 2, 25 vemos que o homem e a mulher viviam nus e não se envergonhavam, mas, logo depois da queda houve uma preocupação em relação ao vestir-se, ao cobrir o corpo: "Então os seus olhos abriram-se; e, vendo que estavam nus, tomaram folhas de figueira, ligaram-nas e fizeram cinturas para si" (Gn 3, 7). E o mais interessante em tudo isto é notar que a forma da qual Adão e Eva se cobriram não agradou a Deus, então o próprio Deus faz uma veste, uma roupa para o casal: "Iahweh Deus fez para o homem e sua mulher túnicas de pele, e os vestiu" (Gn 3, 21). E porque será que Deus fez túnicas? Porque na túnica está presente todos os padrões exigidos pela modéstia, a túnica cobre todo o corpo e não marca, isto é, não deixa transparecer a forma do corpo.  A veste que Deus faz é bem diferente da veste que o casal havia feito. Provavelmente a roupa que o casal havia feito tampava somente os genitais e agora Deus faz uma que cobre todo o corpo. Deus sabe a desordem que o pecado causou no casal e que por isto a veste não podia cobrir somente os genitais.

Com isto, vemos como a questão das vestes entra no mundo, e que pelo fato do próprio Deus ter feito uma veste, mesmo que o casal já tivesse feita uma, nos mostra que não é qualquer forma de se vestir e de cobrir o corpo que agrada a Ele. Por isto, a veste, a roupa, é uma consequência do pecado. E de lá para cá sempre houve uma preocupação da Igreja em relação ao vestir-se. Até mesmo na Igreja Primitiva vemos esta preocupação com o vestir, o Apóstolo São Paulo diz: "Quero que as mulheres usem traje honesto, ataviando-se com modéstia e sobriedade" (I Tm 2, 9).

Deus quer então que usemos vestes honestas, isto é, vestes que não seja uma ocasião de pecado, como nos exortou o Papa Pio XII: "Se certo tipo de vestimenta constitui uma ocasião grave e imediata de pecado, e põe em perigo a salvação de sua alma e de outros, é seu dever desistir de usá-lo". 

Devemos nos preocupar com o nosso vestir, porque ele nos revela quem nós somos:

A VESTE de um homem, seu sorriso e o seu andar revelam o que ele é” (Cf. Eclesiástico 19, 30), isto na Tradução da Bíblia Jerusalém.

Já na Tradução da Ave-Maria está assim: “As VESTES do corpo, o riso dos dentes, e o modo de andar de um homem fazem-no revelar-se” (Cf. Eclesiástico 19, 27). E Santo Ambrósio ajunta que “na atitude corporal se vê a disposição do espírito” e que “o movimento corporal é como uma voz da alma”.

Daí a afirmação de Ambrósio: pelos movimentos exteriores é que julgamos se um homem, no fundo do seu coração, é leviano, arrogante ou perturbado; ou se, pelo contrário, é ponderado, constante, puro e amadurecido”.

Também o Catecismo da Igreja Católica nos ensina que: "A atitude corporal (gestos, roupa) há de traduzir o respeito, a solenidade, a alegria deste momento em que Cristo se torna nosso hóspede" (Catecismo da Igreja Católica n. 1387).

Vemos também que a questão das vestes, sempre foi uma preocupação da Igreja:

Papa Pio XII disse: Agora, muitas meninas não vêem nada de errado em seguir certos estilos desavergonhados, assim como muitas ovelhas. Elas certamente enrubesceriam se pudessem adivinhar a impressão que elas causam e os sentimentos que despertam em quem as vê”. (Alocução às Filhas de Maria Imaculada, 17 de julho de 1954).

Elas certamente enrubesceriam (a palavra enrubescer, significa, tornar-se vermelho)  se pudessem adivinhar a "impressão que elas causam e os sentimentos que despertam em quem as vê" afirma o Papa. Realmente dependendo da veste, curta, transparente, apertada e etc, gera um sentimento de pecado em quem vê. Pecados como, a impureza dos olhos, dos pensamentos, da masturbação, de adultério, já que Jesus nos adverte dizendo: "todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração" (Mt 5, 28).

Por isto afirma Santo Agostinho: “Em todos os vossos movimentos, nada se faça que ofenda os olhos de quem quer que seja, mas só o que convém à vossa santidade”.

o Papa Bento XV expressou seu choque por causa das mulheres que abraçam as tendências da moda. Ele escreveu: “Não se pode deplorar suficientemente a cegueira de tantas mulheres de qualquer idade e posição. Feitas de bobas por um desejo de agradar, elas não veem em que medida a indecência de suas roupas choca a cada homem honesto e ofende a Deus. A maioria delas ficaria enrubescida por causa deste tipo de vestuário, como por uma falta grave contra a modéstia cristã. Agora não basta exibir-se em vias públicas, elas não temem cruzar o limiar de igrejas, para assistir ao Santo Sacrifício da Missa, e até mesmo carregar o alimento sedutor das paixões vergonhosas para a mesa eucarística, onde se recebe o Autor da Pureza Celestial. E nem vamos falar das danças exóticas e bárbaras recentemente importadas para os círculos da moda, uma mais chocante que a outra; não se pode imaginar nada mais adequado para banir todos os resquícios de modéstia.” (Carta Encíclica Sacra Propediem, 6 de janeiro de 1921.)

Papa Pio XII: ”Ó mães cristãs, se vocês soubessem o que um futuro de ansiedades e perigos, de dúvidas depressivas, de mal suprimida vergonha vocês preparam para seus filhos e filhas, deixando-os imprudentemente acostumados a viver escassamente vestidos e fazê-los perder o senso de pudor, vocês teriam vergonha, e temeriam o dano que vocês estão causando a vocês mesmas, os danos que vocês estão causando a essas crianças, a quem o Céu confiou a vocês para serem educadas como cristãs”. (Alocução às Meninas da Ação Católica, 22 de maio de 1941.)

São João Crisóstomo instruiu as mulheres de todos os tempos sobre o vestuário, quando no século IV, ele declarou:

“Você carrega suas armadilhas e espalha suas redes em todos os lugares. Você alega que nunca convidou os outros ao pecado. Você não fez isso, certamente, por suas palavras, mas você tem feito isso através do seu vestuário e do seu comportamento. … Quando você fez com que outro cometesse pecado em seu coração, como pode ser inocente? Diga-me, quem é condenado neste mundo? Quem os juízes punem? Aqueles que bebem veneno ou aqueles que o preparam e administram a poção fatal? Você preparou o copo abominável, você tem dado a morte como bebida, e você é mais criminosa do que aqueles que envenenam o corpo, você assassina não o corpo, mas a alma. E não é aos inimigos que você faz isso, nem por qualquer necessidade imaginária, nem provocada pela injúria, mas por tola vaidade e orgulho.”

Num documento mais recente do ano de 1995 vemos que as coisas não mudaram, mas mostra que o pensamento da Igreja continua sendo o mesmo. Quero colocar aqui um parte do documento para que ninguém diga que as coisas mudaram depois do concílio Vaticano II.

O pudor e a modéstia:

"A prática do pudor e da modéstia, no falar, no agir e no vestir, é muito importante para criar um clima apropriado à conservação da castidade, mas isto deve ser bem motivado pelo respeito do próprio corpo e da dignidade dos outros. Como já se mencionou, os pais devem vigiar a fim de que certas modas e certas atitudes imorais não violem a integridade da casa" (Conselho Pontifício para a família, Sexualidade humana: verdade e significado n.56).


"O pudor é modéstia. Inspira o modo de vestir" (Catecismo da Igreja Católica n. 2522).

Por: Hélio Maria

Modestia no campo

terça-feira, 8 de julho de 2014

SALVE MARIA IMACULADA!

Modéstia nos centros urbanos é "fácil", mas no campo, no interior as vezes é um tanto complicado, como os chatos carrapichos que grudam na roupa... Enfim. Mas sendo uma virtude, ela cabe em todos os lugares. 
Algumas fotos para inspirar:







OBS: Mais de um mês sem postar nada! Pois é, não foi por causa da copa =)  as vezes faltam ideias ou as palavras certas para materializá-las. Aceito sugestões. =)

Há 4 anos conheci a Modéstia...

sexta-feira, 23 de maio de 2014

SALVE MARIA IMACULADA!

Foi num domingo, 23 de maio de 2010, que uma amiga me chamou para ir numa palestra da Julie Maria. A principio eu nem queria ir, mas ainda assim fui. Aquela palestra no Jardim da Imaculada (Ocidental - Goias) mudou a minha vida; parafraseando, as escamas caíram dos meus olhos. Antes de começarmos a viver (ou seja, antes de fazer tapete das calças jeans) fomos estudar e nisso despertou o desejo pela Apologética; daí veio o uso do véu, a piedade na Santa Missa, o zelo pelo Santíssimo Sacramento... A vida espiritual da Comunidade avançou. 
Depois de "conhecer" a modéstia pelos livros, fui pesquisar na internet e conheci a Maria Rosa, Mulher Católica, o Moda e Modéstia, o saudoso Teus Vestidos; blogs que não falavam somente da modéstia mas da doutrina Católica e daí aprendi o que de fato é a TL, socialismo e suas influências na moda, o mal que é o feminismo... Enfim, começou com uma palestra sobre vestir e pudor que me impulsionou a ser católica de fato.
Agradeço muito por aquele domingo de maio que num santuário da Virgem Imaculada eu conheci a modéstia... Pois é, já se passaram 4 anos. 


A pureza de Santa Gemma Galgani

segunda-feira, 17 de março de 2014

SALVE MARIA IMACULADA!


Gemma Galgani (Gemma vem latim e significa joia), nasceu no dia 12 de março de 1878 e faleceu em Lucca (Itália) no dia 11 de abril de 1903, aos vinte e cinco anos de idade. 

A modéstia modera certas pequenas paixões, externas e desregradas. Prescreve, portanto, regras aos olhos, a língua, a todos os membros, quanto a decência e aos movimentos. Esta virtude não consiste tão somente na composição exterior, deve proceder da composição interior da alma.

O vestuário de Gemma era o mais simples e modesto possível. Durante toda a sua vida vestiu preto, sem enfeite algum, apesar dos motejos e da perseguição das próprias irmãs, que muitas vezes lhe exprobravam a excessiva modéstia. O preto dizia-lhe o que o preto da batina diz ao padre: que a vida cristã deve ser uma vida de sacrifícios, de mortificação, de renúncia, de abnegação, de luto e de morte ao mundo. Verdadeiramente, Gemma foi uma jóia, foi um ônix, esta pedra fina de um preto resplandecente.

O padre Germano refere a este propósito o seguinte: no ano de 1895, Gemma recebeu de um primo um lindo relógio com o respectivo trancelim, bem como uma cruz, tudo de ouro de lei. Em consideração à pessoa unicamente, e não por vaidade, quis adornar-se, pelo menos uma vez na vida e saiu levando o mimo. Ao voltar para casa, encontrou o anjo da guarda com o rosto irado que lhe disse “uma esposa de Cristo não deve ter outro adorno a não ser os espinhos e a cruz”. Gemma caiu de joelhos soluçando e derramando rios de lágrimas, exclamou: “oh, Jesus, perdão! Por amor de Vós e somente para Vos agradar, prometo renunciar para todo o sempre a vaidade e aos atavios, e juro nunca mais pensar nessas misérias nem falar nessas frivolidades”. Levantando-se, arremessou ao chão a rica dádiva, bem como um anel que trazia no dedo desde menina e pisou aos pés esses objetos de luxo. Gemma foi fiel a sua promessa, e nunca mais lembrou-se de ataviar-se.

Diz o autor da sua biografia que os olhos da serva de Deus só eram vistos com clareza, quando estava em êxtase; fora destes momentos baixava-os com pudor. [...] Gemma sabia que a vista inclinada para o chão eleva o coração a Deus (S. Bernardo).

“É próprio das virgens, diz S. Ambrósio, temer toda a conversa e contato humano, e fugir das ocasiões perigosas”.
Sabendo que o menor hálito embaça um espelho, Gemma, evitava, com o máximo cuidado, o contágio que lhe pudesse ofuscar o brilho da inocência. Ciente de que trazia a virtude num vaso quebradiço e que não podia conservar a continência, como disse Salomão, sem o auxilio de Deus, todos os dias orava nesta intenção. 

Prostrada perante a imagem da Imaculada, de mãos postas, dizia: Ó minha Mãe, não consintais que perca a minha inocência; recorro a vossa proteção e me coloco debaixo de vosso manto materno. Guardai minha pureza para que possa agradar a Jesus cada vez mais.

(PADRE XAVIER CHUET. A joia das Filhas de Maria. 1918) 

OBS: livro disponível no Alexandria Católica, A joia das Filhas de Maria.

Para meditar.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

SALVE MARIA IMACULADA!


É... A questão é séria! "É inútil (I-N-Ú-T-I-L) procurar restaurar a castidade nos indivíduos, nas famílias e na sociedade se a a sua salvaguarda, a modéstia, é ignorada...". É inútil! Para que tenhamos uma sociedade Casta é preciso que seja uma sociedade Modesta. 

Uma definição de Modéstia

terça-feira, 26 de novembro de 2013

SALVE MARIA IMACULADA!

A modéstia é uma virtude que, pelo respeito devido à presença de Deus, para edificação do próximo e por um sentimento de dignidade pessoal, regula com decoro todo o exterior do homem: a sua conduta, olhar, o gesto, as palavras, as diligências; ela ordena e compõe tudo conformemente à idade, à condição, sem afetação nem singularidade; é o reflexo, senão da santidade, pelo menos da probidade e da decência que devem existir interiormente. (Padre Valuy).

(Trecho retirado do livro "Ensaio sobre a Castidade", Padre F. Maucourant, 1959)

(imagem extraída do blog A formação da Moça Católica, post A vocação da donzela _ parte 3)

Para meditar...

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

SALVE MARIA IMACULADA!


Objeção: O que importa é o coração!

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

SALVE MARIA IMACULADA!

_O que importa é o coração! Exclamam categoricamente uma grande parte das pessoas quando se fala de modéstia no vestir. Como rebater à essa objeção?

O coração puro, se a pessoa for coerente, é refletido em sua veste. Na Sagrada Escritura tal verdade é resumida assim: As vestes do corpo, o riso do dentes e o modo de andar de um homem fazem-no revelar-se" (Eclo 19, 26-27). Como explica Frei Paulo Maria "não existem coraçõezinhos andando por aí": existem pessoas de carne e osso, que tem uma alma imortal. Somos uma unidade de espírito e matéria e não é apenas o coração que importa: é o seu coração e o corpo, templo onde habita Deus.

Modéstia dos olhos

sábado, 15 de junho de 2013

SALVE MARIA IMACULADA!

(Alguns trechinhos do livro Seletas de textos sobre a Modéstia - Escravas de Maria)

Santo Agostinho diz: "Do olhar nasce o pensamento, e do pensamento a concupiscência". Se Eva não tivesse olhado para o fruto proibido, não teria pecado; ela, porém, achou gosto em contemplá-lo, parecendo-lhe bom e bel; apanhou-o então, e fez-se culpada da desobediência. 
Aqui vemos como o demônio nos tenta primeiramente a olhar, depois a desejar e, finalmente, a consentir.
[...] 
"Quem contempla objeto perigoso começa a querer o que antes não queria". (São Gregório)
("Escola da Perfeição Cristã", obra compilada dos escritos de Santo Afonso Maria de Ligório, Doutor da Igreja, vertida para o português segundo a edição alemã do Padre Paulo Leick, pelo Padre José Lopes, C.SS.R)

Isso não é instrução direcionada somente aos homens, mas também a todas as mulheres, afinal "Na luta contra o pecado não existem fracos ou fortes, mas prudentes e imprudentes" (Padre Luis Carlos Lodi).

Pequenina escrava de Amor da Santíssima Virgem Maria: Gislaide

A Igreja e a Modéstia

quarta-feira, 15 de maio de 2013


    A Igreja sempre ensinou a necessidade e o valor da virtude da modéstia ao afirmar que todo pecado contra a pureza é grave. O Catecismo da Igreja resume desta forma sua importância: “A pureza exige o pudor. Este é uma parte integrante da temperança. O pudor preserva a intimidade da pessoa. Consiste na recusa de mostrar aquilo que deve ficar escondido. Está ordenado castidade, exprimindo sua delicadeza. Orienta os olhares e os gestos em conformidade com a dignidade das pessoas e de sua união… O pudor é modéstia. Inspira o modo de vestir… Torna-se discrição… O pudor inspira um modo de viver que permite resistir às solicitações da moda e à pressão das ideologias dominantes.”[1]

     A virtude da modéstia tem vários aspectos, entre eles a “aparência exterior”.[2] O problema é que, enquanto não se discute que a virtude da modéstia é necessária para agradar a Deus e é muito importante para nossa santificação[3], a ignorância da nossa geração no campo da sexualidade gera uma grande confusão quando se trata de decidir, na prática, o que é ou não modesto em relação à veste.

     O vestido longo, tanto no cumprimento, como na gola e na manga, era o vestido clássico de qualquer mulher cristã até o fim do século XIX. Olhemos para esta imagem da mãe de Santa Teresinha ou para esta foto que está a mãe de Santa Gianna e veremos como, não muito tempo atrás, a pele do corpo da mulher simplesmente não aparecia: a roupa servia justamente para cobri-la. Quem nos ensinou isso foi o próprio Deus que depois do pecado original, frente à nudez de Adão e Eva, não Se satisfez com a folha de figueira e lhes deu túnicas, cobrindo totalmente seus corpos para assim revelar a sua dignidade: “A pureza de coração é a condição prévia da visão [de Deus]. Desde já nos concede ver segundo Deus… permite-nos perceber o corpo humano, o nosso e o do próximo, como um templo do Espírito Santo, uma manifestação da beleza divina.”[4]

     Mas com a depravação da moda, a veste além de não cobrir a pele ainda ressalta – com decotes, fendas, transparências, mini-cumprimentos, etc. – partes do corpo feminino que deveriam ficar absolutamente e sempre ocultas: as partes íntimas e conexas do corpo feminino[5].

     É tão avassalador este processo de depravação e uniformização[6] da maneira de vestir feminina que a “moda-prostituta” conseguiu cegar até as católicas. Muitas vezes nem se dão conta que estão de mãos dadas com satanás, servindo seu corpo como vitrine para ele levar a sua alma e a dos outros para o inferno. Eu mesma fui escrava desta moda, mas chegou a hora de sermos escravas de Nosso Senhor e Nossa Senhora!

     Com a graça de Deus e intercessão da Imaculada somos capazes de sairmos deste inferno da moda mundana e entrarmos no Reino, que começa aqui mesmo quando nossos olhos e coração coincidem com a visão correta sobre a veste, ensinada pela Igreja. Praticaremos então com maior facilidade a regra de ouro dada pelo Papa Pio XII:“um estilo jamais deve ser uma ocasião próxima de pecado.”[7]

     Mas se é fácil entender que um estilo “não deve ser ocasião de pecado”, não é tão fácil encontrar um grupo que, trabalhando pela modéstia cristã, consiga estar unanimemente de acordo com os critérios para decidir se uma roupa é modesta ou não.

     Estamos numa sociedade tão imodesta que, se antes era a calça ou a mini-saia que escandalizava, agora é a saia longa (e modesta) que faz todo mundo olhar para a mulher como se ela estivesse vestindo “algo que não lhe pertence”. Frente a esta confusão, temos uma proposta, que difere daqueles grupos que, além de não obedecerem ao critério mínimo de modéstia exigido pela Igreja, ainda confundem a muitos com o discurso de “modéstia” e a prática de “imodéstia” nas imagens de seus sites, blogs, etc. Se cada um escolhe o que é ser “modesto” então não reina Nosso Senhor, mas satanás pois a divisão se instala e não existe a ordem que reflete a soberania de Deus e de Sua Igreja.

Qual a proposta do Site Moda e Modéstia?

   Em primeiro lugar obedecer ao critério dado pelo Magistério da Santa Igreja que diz[8]:

“Para que a uniformidade no entendimento (a respeito da modéstia) prevaleça (…) recordamos que um vestido não pode ser chamado de decente se é cortado mais que a largura de dois dedos sob a cova da garganta, se não cobre os braços pelo menos até os cotovelos, e se mal chega até um pouco abaixo dos joelhos. Além disso, os vestidos de materiais transparentes são impróprios.”

Devemos entender bem este ensino para não sermos confundidos: lemos nele as palavras “pelo menos…” e “mal chega…” dando a entender que este é o critério mínimopara que uma veste seja considerada modesta. O ideal, torna-se óbvio, é a veste que cobre todo o corpo: manga até o pulso e saia até o tornozelo, sem revelar nem expor a forma do corpo de maneira inadequada, inclusive o colo feminino. Se num primeiro momento parece exagerado tal proposta lembremos da imagem de homem bem vestidoque temos – calça, camisa e paletó (cobrindo por tanto todo o seu corpo) – e veremos que o problema está na corrupção ocorrida na moda feminina.

- Em segundo lugar faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para que as mulheres se sintam chamadas a alcançar o ideal (e não apenas o mínimo de modéstia no seu vestir). Para tal fim, disponibilizamos os Documentos, artigos, fotos, vídeos, e qualquer outro meio que encontrarmos para acender no coração de cada uma o desejo de querer ser, de fato, exemplo nesta sociedade. Este é o dever de toda mulher católica, que inclui estar vestida decentemente, como lemos num discurso do Papa Bento XV[9], elogiando a meta que se propôs a então União de Mulheres Católicas Italianas:

     “Apressemo-nos, ao contrário, em alegrar-nos pelo propósito que foi feito de garantir que a mulher católica sinta, além do dever de ser irrepreensívelo dever de mostrar-se tal em seu estilo de vestir. Tal propósito manifesta a necessidade do bom exemplo que deve dar a mulher católica; e oh! quão grave, quão urgente é o dever de repudiar os exageros da moda! Isso surge da corrupção dos seus inventores, dando uma contribuição fatal para a grande corrupção geral dos costumes!”

-      Sobre o uso da calça pela mulher, acolhemos com docilidade a Notificação do Cardeal Siri, que com caridade pastoral nos ensinou, de modo profundo e com autoridade, o gravíssimo problema moral desta peça. Apesar deste tema ter se tornado fonte de inúmeros debates, ele não é um tema polêmico, como alguns querem colocar. Ele é bem simples, mas exige o desapego à calça, e isso para muitas de nossas irmãs exige a prática de virtudes heróicas. Selecionamos aqui os artigos referentes a este tema para animar a cada uma dar este grande passo: deixar de usar a calça. Se te parece difícil – ou impossível – não desista: recorra à Mãe Imaculada. Com certeza Ela te mostrará como é doce e suave o poder se vestir de modo verdadeiramente feminino.

     Tenhamos sempre no coração aquele Hino de Fátima: “Vesti com modéstia, vesti com pudor, olhai como veste a Mãe do Senhor”, para que olhando para a Mãe nos sintamos acolhidas para começar e avançar sempre neste santo caminho da modéstia no vestir!

Nossa Senhora Modestíssima, rogai por nós. Amém.


[1] CIC 2521-2523

[2] Para o estudo da modéstia indicamos o livro (apenas em inglês) Handbook of Modesty.

[3] Em Fátima, Nossa Senhora disse que o pecado da carne é que leva mais pessoas para o inferno. Se o Catecismo ensina que a modéstia protege a pureza – virtude que leva a pessoa a fugir do pecado da carne – então nada mais urgente do que ensinar e viver a modéstia no vestir como uma forma de proteger a dignidade e salvar a nossa alma e a dos irmãos.

[4] CIC 2519


[5] Seios e nádegas e partes relacionadas: coxa e ante-braço e colo.

[6] Com o eufemismo de “seja você mesma”, jamais se viu na moda a uniformização que a “calça jeans e camiseta” conseguiu fazer no guarda-roupa feminino.


[8] Instrução sobre a modéstia dada no dia 4 de setembro de 1928, pelo Cardeal Cardeal Basilio Pompili, Vigário do Papa Pio XI. Fonte: Livro “Dressing with Dignity” de Collen Hallmond.

Sermão sobre contracepção





Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. Ave Maria…


“Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorais sobre vossos filhos. Porque eis que virá um tempo em que se dirá: Ditosas as estéreis e ditosos os seios que não geraram e os peitos que não amamentaram.” (Lc XXIII, 28-29)

 

     Eis aqui a única referência que Cristo faz à contracepção e à mentalidade contraceptiva. Claro que essas palavras de Nosso Senhor são suscetíveis de várias interpretações e se aplicam a circunstâncias diversas, em particular ao momento da queda de Jerusalém e mesmo ao fim dos tempos. Mas é claro que Nosso Senhor se refere, aqui, também à contracepção e à mentalidade contraceptiva. E Ele o faz no meio de seus maiores sofrimentos, durante a Via Sacra. Durante toda a história da humanidade nunca vimos um período em que a contracepção estivesse tão disseminada como em nossos tempos. É preciso chorar, nos diz Nosso Senhor.

     A Igreja tem o direito e o dever dados por Deus para julgar sobre a moralidade dos atos e esse poder da Igreja em relação à moral se estende à Lei Natural, à explicação da Lei Natural. Esta lei decorre da própria natureza das coisas, a lei que decorre da própria natureza do homem, criada por Deus. Nós vemos que Deus formou nossas faculdades de um certo jeito e que, consequentemente, elas devem ser usadas segundo a intenção do Criador, se não quisermos ofendê-lo e prejudicar a nós mesmos.  Em outras palavras, Deus nos fez de um certo modo e isso traz para nós consequências de como devemos agir. De forma semelhante, quando se fabrica um carro, o fabricante o faz de uma certa maneira, tendo em vista seus objetivos. Assim, ele pode fabricar um carro que funciona somente com gasolina. Ora, se alguém vai contra a intenção do fabricante e coloca álcool no tanque de combustível, o carro terá vários problemas e não funcionará corretamente como deveria, se tivesse sido observada a intenção do fabricante.

     Dentre as faculdades que Deus deu ao homem, há a faculdade reprodutiva. E Ele formou tal faculdade de forma que dois aspectos dela sejam inseparáveis. No ato conjugal devem se encontrar necessariamente juntos os aspectos unitivo e procriativo. O elemento unitivo consiste no fato de que o ato conjugal, por sua própria natureza, faz do homem e da mulher uma só carne, unindo-os fisicamente. O aspecto unitivo não é aqui o amor entre os cônjuges, mas a união que faz deles uma só carne. O elemento procriativo consiste no fato de que o ato conjugal, por sua própria natureza, está fundamentalmente ordenado à procriação. Assim, esses dois aspectos do ato conjugal não podem nunca separar-se. Se alguém os separa irá gravemente contra a lei natural e, portanto, contra Deus, autor da lei natural. É de suma importância compreender isso: o aspecto unitivo e o aspecto procriativo não devem ser separados. Deus quis que os filhos fossem gerados por meio da união que se realiza no ato conjugal. E essa união pelo ato conjugal só se justifica quando tal ato é feito sem excluir a procriação.

     Essa doutrina imutável da Igreja nos leva a algumas conclusões importantes. Ela condena, por exemplo, a fertilização in vitro e a inseminação artificial, pois aqui o aspecto unitivo é deixado de lado. A Igreja é defensora da família e dos filhos, mas não a qualquer custo. Os fins não justificam os meios. A Igreja não pode ir contra a lei natural, contra Deus, para favorecer a procriação. Essas práticas que deixam de lado o aspecto unitivo vão gravemente contra a lei natural, feita por Deus, e são objetivamente um pecado grave.

     Outras consequências decorrem da doutrina da Igreja. Ela significa que uma pessoa não pode ser esterilizada a fim de evitar os filhos: ligadura das trompas e vasectomia são gravemente proibidas e também os que recomendam esses procedimentos e os médicos que os realizam cometem grave pecado. Esses procedimentos, sendo possível, devem ser revertidos, se o casal ainda se encontra em idade fértil. Preservativos e qualquer outro tipo de barreira artificial, como diafragma, por exemplo, também não são moralmente lícitos. Também as pílulas não podem ser tomadas, evidentemente, para evitar os filhos. E vale destacar que essas pílulas não somente impedem a gravidez, como podem causar aborto, impedindo a fixação do embrião na parede uterina, por exemplo.

     Em 1968, o Papa Paulo VI, na Encíclica Humanae Vitae, confirmou o ensinamento constante e imutável da Igreja tanto em relação aos dois aspectos do ato conjugal que não podem ser separados quanto à proibição dos métodos anticoncepcionais.

     Outra, porém, é a avaliação moral dos assim chamados métodos naturais, quer dizer, aqueles em que o casal reduz o uso do matrimônio aos dias inférteis da mulher. Em relação aos métodos naturais, é preciso dizer que é perfeitamente lícito o ato conjugal no período infértil, pois nesse caso a infertilidade não decorre da vontade dos cônjuges, mas da própria natureza. Assim o ato conjugal é lícito quando a infertilidade é natural, decorrente, por exemplo, do ciclo da mulher ou da idade. Todavia, embora os métodos naturais sejam em si moralmente lícitos, eles não podem ser usados por razões de contracepção ou por uma mentalidade contraceptiva, quer dizer, para evitar os filhos a todo custo ou para reduzir o número de filhos a um número que seja agradável para o casal.

     Para utilizar os métodos naturais de forma moralmente aceitável, é preciso que haja razões graves para que uma nova gravidez não aconteça. Destaco bem: são necessárias razões graves. Essas razões graves podem ser de ordem médica, eugênica, social, econômica. De ordem médica, física ou psicológica, por exemplo, se uma nova gravidez traz riscos sérios para a saúde da mãe. De ordem eugênica, por exemplo, se a probabilidade de o filho nascer com problemas ou deficiências é grande ou se há grande probabilidade de aborto espontâneo. De ordem social, por exemplo, se o governo aborta sistematicamente as crianças de um casal após o nascimento do primeiro, como é o caso na China. De ordem econômica, se o nascimento de mais um filho colocará os pais em situação econômica realmente difícil, por exemplo.

     As razões de ordem econômica devem ser graves: o não conseguir dar o melhor colégio ou a melhor comida para o filho não são razões graves. O ter de comprar um carro pior ou ter de baixar o status econômico também não são razões graves. Tem-se exagerado muito a questão econômica para justificar o uso dos métodos naturais. Repito: a razão econômica deve ser realmente grave. Como podem surgir muitas dúvidas sobre o saber se uma razão é ou não suficiente para a utilização dos métodos naturais, é preciso consultar um padre de segura doutrina moral. Pio XII diz: “se essas graves razões (para utilizar os métodos naturais) não estão presentes, a vontade de evitar habitualmente a fecundidade da união, mas continuando a satisfazer plenamente a sensualidade, só pode derivar de uma falsa apreciação da vida e de motivos alheios às retas normas éticas”.

     Resumindo, utilizar os métodos naturais sem ter uma razão realmente grave para tanto, é moralmente ilícito, é pecaminoso e deriva de uma mentalidade contraceptiva que precisa ser evitada, pois, além de ser em si pecaminosa, termina conduzindo à contracepção de fato. Além disso, para que os métodos naturais sejam utilizados é preciso que os dois cônjuges estejam de acordo, pois tais métodos supõem a abstenção do ato conjugal durante um certo período e isso não pode ser feito sem que o dois estejam de acordo, até para não dar lugar a tentações contra o matrimônio. O casal pode usar os métodos naturais para aumentar a chance de filhos, evidentemente. Podem, mas isso não é obrigatório, Ninguém está obrigado a ter o maior número possível de filhos, mas, sim, a aceitar todos os filhos que Deus enviar como fruto do uso normal do matrimônio.

     A contracepção e a mentalidade contraceptiva são hoje praticamente onipresentes. E, infelizmente, mesmo entre os católicos. A crise atual é de fé e moral. E as consequências são drásticas, lastimáveis e graves. A primeira consequência é, claro, para o próprio casal que vê a vida matrimonial naufragar. A recusa da primeira finalidade do matrimônio, que é a procriação, trará grandes prejuízos para o casal. A contracepção faz que homens e mulheres sejam vistos como objetos para fins sexuais. Mas a contracepção e a mentalidade contraceptiva causam também graves problemas na sociedade. O problema do aborto está diretamente ligado à contracepção. Ora, o objetivo da contracepção é fazer de tudo para praticar o ato conjugal sem ter filhos. Com essa mentalidade contraceptiva os filhos passam a ser vistos como inimigos do casal.  Mas, e se os métodos anticoncepcionais falharem? Ora, a gravidez vai contra a intenção de ter filhos, então, é preciso fazer um aborto. Depois se segue o infanticídio, pois se eu posso matar a criança na barriga da mãe, por que não posso matar assim que ela nascer? E isso já está sendo proposto em alguns países: o aborto pós-parto, quer dizer, o assassinato da criança depois de nascida. E tudo isso é lógico, pois o crime é o mesmo – o assassinato de um bebê – só muda o lugar e o momento. A que ponto chegamos, caros católicos?

     A chamada paternidade responsável por meio do uso da contracepção é, na verdade irresponsável e causa a irresponsabilidade. Ela é irresponsável, pois a pessoa quer justamente praticar um ato sem arcar com as consequências naturais de seu ato. Isso é o que se chama irresponsabilidade. E se a irresponsabilidade é defendida em matéria tão fundamental e básica, é claro que ela vai se propagar para outros domínios da vida. Não é por acaso se as pessoas e a sociedade tem se tornado cada vez mais irresponsáveis.

     O próximo passo, depois do aborto, é a eutanásia. A razão para não ter crianças é o fato delas serem um peso, um fardo. O passo seguinte é, então, eliminar os idosos que se tornam igualmente inconvenientes. Uma vez que o princípio por traz da contracepção – isto é, o prazer sem responsabilidades e a eliminação de tudo o que pode ser inconveniente – foi aceito, as consequências lógicas chegam, mais cedo ou mais tarde. E depois dos idosos, serão eliminados da sociedade todos aqueles que ela de alguma forma acha que são inconvenientes, que são um peso. E isso começa, por exemplo, com o aborto dos fetos anencefálicos. Nossa sociedade tão moderna e tão evoluída faz com muito mais perfeição o que fazia a Alamenha nazista de Hitler. Nós vemos, então, que a contracepção está na raiz da cultura da morte e podemos enxergar claramente a gravidade da contracepção e da mentalidade contraceptiva. E notem que, historicamente, a cultura da morte, de fato, começa com a contracepção, em seguida passa ao aborto, depois vem a eutanásia, e, finalmente, a eliminação de todos os que são considerados um peso por essa sociedade degenerada. Tudo foi muito bem organizado pelo inimigo do homem. É preciso notar também que quando uma sociedade se torna contraceptiva, há um aumento da homossexualidade, pois a contracepção indica que a finalidade das nossas vidas é o prazer sensual. E se a finalidade é essa, qualquer forma de prazer desse tipo se torna válida. Tudo está ligado, caros católicos.

     É preciso, portanto, ficar longe da contracepção, da mentalidade contraceptiva e de todas as suas consequências. A nossa atitude face aos filhos deve ser como a de Nossa Senhora: “faça-se em mim segundo a vossa palavra”. Os três bens do casamento são os filhos, a fidelidade e a indissolubilidade, O maior deles, porém, são os filhos. Os filhos não são um peso e não são um mal. Ao contrário, eles são a alegria e a glória dos pais. O casal deve estar sempre aberto a todos os filhos que Deus quer enviar e não podem evitá-los nunca por métodos anticoncepcionais e só poderão fazê-lo utilizando métodos naturais se houver razões graves para isso, como dissemos. Nesse assunto, reitero, é preciso consultar um padre que tenha segura e sólida doutrina moral.

     Aquele filho que o casal quer evitar – sem ter uma causa grave para tanto – é o filho que, talvez, nos planos de Deus iria mudar a família, como São Bernardo, que levou para a vida religiosa mais de trinta familiares. Ou talvez o filho que o casal queira evitar seja aquele que pode trazer grandes benefícios para a sociedade. Pode ser o santo de que nossa época tanto precisa. É preciso confiar também na providência divina. Se Deus manda um filho aos pais que permanecem fiéis e generosos, ele dará os meios para que os pais possam, cooperando com a graça divina, educar o filho e ajudá-lo a se salvar. Deus não pode nos pedir nada que seja impossível. Mas é preciso também recorrer a Ele. Grandes graças estão reservadas para o casal que confia na providência divina, aceitando todos os filhos que Deus manda.

“Faça-se em mim segundo a vossa palavra.”
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.