Mostrando postagens com marcador Pudor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pudor. Mostrar todas as postagens

A origem das vestes

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Salve Maria Puríssima!

É importante preocupar-se com a forma de se vestir? 

No Livro de Gênesis no Cap. 2, 25 vemos que o homem e a mulher viviam nus e não se envergonhavam, mas, logo depois da queda houve uma preocupação em relação ao vestir-se, ao cobrir o corpo: "Então os seus olhos abriram-se; e, vendo que estavam nus, tomaram folhas de figueira, ligaram-nas e fizeram cinturas para si" (Gn 3, 7). E o mais interessante em tudo isto é notar que a forma da qual Adão e Eva se cobriram não agradou a Deus, então o próprio Deus faz uma veste, uma roupa para o casal: "Iahweh Deus fez para o homem e sua mulher túnicas de pele, e os vestiu" (Gn 3, 21). E porque será que Deus fez túnicas? Porque na túnica está presente todos os padrões exigidos pela modéstia, a túnica cobre todo o corpo e não marca, isto é, não deixa transparecer a forma do corpo.  A veste que Deus faz é bem diferente da veste que o casal havia feito. Provavelmente a roupa que o casal havia feito tampava somente os genitais e agora Deus faz uma que cobre todo o corpo. Deus sabe a desordem que o pecado causou no casal e que por isto a veste não podia cobrir somente os genitais.

Com isto, vemos como a questão das vestes entra no mundo, e que pelo fato do próprio Deus ter feito uma veste, mesmo que o casal já tivesse feita uma, nos mostra que não é qualquer forma de se vestir e de cobrir o corpo que agrada a Ele. Por isto, a veste, a roupa, é uma consequência do pecado. E de lá para cá sempre houve uma preocupação da Igreja em relação ao vestir-se. Até mesmo na Igreja Primitiva vemos esta preocupação com o vestir, o Apóstolo São Paulo diz: "Quero que as mulheres usem traje honesto, ataviando-se com modéstia e sobriedade" (I Tm 2, 9).

Deus quer então que usemos vestes honestas, isto é, vestes que não seja uma ocasião de pecado, como nos exortou o Papa Pio XII: "Se certo tipo de vestimenta constitui uma ocasião grave e imediata de pecado, e põe em perigo a salvação de sua alma e de outros, é seu dever desistir de usá-lo". 

Devemos nos preocupar com o nosso vestir, porque ele nos revela quem nós somos:

A VESTE de um homem, seu sorriso e o seu andar revelam o que ele é” (Cf. Eclesiástico 19, 30), isto na Tradução da Bíblia Jerusalém.

Já na Tradução da Ave-Maria está assim: “As VESTES do corpo, o riso dos dentes, e o modo de andar de um homem fazem-no revelar-se” (Cf. Eclesiástico 19, 27). E Santo Ambrósio ajunta que “na atitude corporal se vê a disposição do espírito” e que “o movimento corporal é como uma voz da alma”.

Daí a afirmação de Ambrósio: pelos movimentos exteriores é que julgamos se um homem, no fundo do seu coração, é leviano, arrogante ou perturbado; ou se, pelo contrário, é ponderado, constante, puro e amadurecido”.

Também o Catecismo da Igreja Católica nos ensina que: "A atitude corporal (gestos, roupa) há de traduzir o respeito, a solenidade, a alegria deste momento em que Cristo se torna nosso hóspede" (Catecismo da Igreja Católica n. 1387).

Vemos também que a questão das vestes, sempre foi uma preocupação da Igreja:

Papa Pio XII disse: Agora, muitas meninas não vêem nada de errado em seguir certos estilos desavergonhados, assim como muitas ovelhas. Elas certamente enrubesceriam se pudessem adivinhar a impressão que elas causam e os sentimentos que despertam em quem as vê”. (Alocução às Filhas de Maria Imaculada, 17 de julho de 1954).

Elas certamente enrubesceriam (a palavra enrubescer, significa, tornar-se vermelho)  se pudessem adivinhar a "impressão que elas causam e os sentimentos que despertam em quem as vê" afirma o Papa. Realmente dependendo da veste, curta, transparente, apertada e etc, gera um sentimento de pecado em quem vê. Pecados como, a impureza dos olhos, dos pensamentos, da masturbação, de adultério, já que Jesus nos adverte dizendo: "todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração" (Mt 5, 28).

Por isto afirma Santo Agostinho: “Em todos os vossos movimentos, nada se faça que ofenda os olhos de quem quer que seja, mas só o que convém à vossa santidade”.

o Papa Bento XV expressou seu choque por causa das mulheres que abraçam as tendências da moda. Ele escreveu: “Não se pode deplorar suficientemente a cegueira de tantas mulheres de qualquer idade e posição. Feitas de bobas por um desejo de agradar, elas não veem em que medida a indecência de suas roupas choca a cada homem honesto e ofende a Deus. A maioria delas ficaria enrubescida por causa deste tipo de vestuário, como por uma falta grave contra a modéstia cristã. Agora não basta exibir-se em vias públicas, elas não temem cruzar o limiar de igrejas, para assistir ao Santo Sacrifício da Missa, e até mesmo carregar o alimento sedutor das paixões vergonhosas para a mesa eucarística, onde se recebe o Autor da Pureza Celestial. E nem vamos falar das danças exóticas e bárbaras recentemente importadas para os círculos da moda, uma mais chocante que a outra; não se pode imaginar nada mais adequado para banir todos os resquícios de modéstia.” (Carta Encíclica Sacra Propediem, 6 de janeiro de 1921.)

Papa Pio XII: ”Ó mães cristãs, se vocês soubessem o que um futuro de ansiedades e perigos, de dúvidas depressivas, de mal suprimida vergonha vocês preparam para seus filhos e filhas, deixando-os imprudentemente acostumados a viver escassamente vestidos e fazê-los perder o senso de pudor, vocês teriam vergonha, e temeriam o dano que vocês estão causando a vocês mesmas, os danos que vocês estão causando a essas crianças, a quem o Céu confiou a vocês para serem educadas como cristãs”. (Alocução às Meninas da Ação Católica, 22 de maio de 1941.)

São João Crisóstomo instruiu as mulheres de todos os tempos sobre o vestuário, quando no século IV, ele declarou:

“Você carrega suas armadilhas e espalha suas redes em todos os lugares. Você alega que nunca convidou os outros ao pecado. Você não fez isso, certamente, por suas palavras, mas você tem feito isso através do seu vestuário e do seu comportamento. … Quando você fez com que outro cometesse pecado em seu coração, como pode ser inocente? Diga-me, quem é condenado neste mundo? Quem os juízes punem? Aqueles que bebem veneno ou aqueles que o preparam e administram a poção fatal? Você preparou o copo abominável, você tem dado a morte como bebida, e você é mais criminosa do que aqueles que envenenam o corpo, você assassina não o corpo, mas a alma. E não é aos inimigos que você faz isso, nem por qualquer necessidade imaginária, nem provocada pela injúria, mas por tola vaidade e orgulho.”

Num documento mais recente do ano de 1995 vemos que as coisas não mudaram, mas mostra que o pensamento da Igreja continua sendo o mesmo. Quero colocar aqui um parte do documento para que ninguém diga que as coisas mudaram depois do concílio Vaticano II.

O pudor e a modéstia:

"A prática do pudor e da modéstia, no falar, no agir e no vestir, é muito importante para criar um clima apropriado à conservação da castidade, mas isto deve ser bem motivado pelo respeito do próprio corpo e da dignidade dos outros. Como já se mencionou, os pais devem vigiar a fim de que certas modas e certas atitudes imorais não violem a integridade da casa" (Conselho Pontifício para a família, Sexualidade humana: verdade e significado n.56).


"O pudor é modéstia. Inspira o modo de vestir" (Catecismo da Igreja Católica n. 2522).

Por: Hélio Maria

Diálogo entre duas jovens cristãs

domingo, 28 de julho de 2013

SALVE MARIA IMACULADA! 

Texto extraído do livro "Audi Filia!, páginas para moças" pelo Padre Geraldo Pires de Souza, 3ª edição de 1937.


- Quem é tu que vens assim de mangas tão compridas, envolta nesta túnica talar, e de véu branco dominical?
- E tu, quem és, com essas vestes sem mangas e tão decotadas, e curtas... De cabelos muito cortados?
- Sou uma cristã do século XX.
- E eu, uma cristã dos primeiros séculos de fé.
- Teu nome?
- Domitila, Águeda, Cecília, Inez, (Filomena), como queiras chamar-me.
- O meu pode ser Haydée, Mimi, Zizi.
- Que nomes!
- Achas graça? Pois são muito eufônicos... E donde vens e para onde vais?
- Venho das catacumbas de Lucila. Passei a noite na cripta com os meus irmãos. Só na solidão e no silêncio da noite é que nos é possível, sem perigo, adorar a Deus.
- E vais ...
- Após pequeno descanso, visitar, na Suburra, uma escrava enferma, recolher o sangue e os despojos de uns mártires sacrificados hoje no Coliseu, cortar ramos de oliveira e apanhar flores para o seu túmulo (mártires). E tu?
- Volto de um baile social.
- De um baile? Como as meninas pagãs do meu tempo? E social? Então a sociedade cristã vive agora a bailar? E o grande perigo para tua alma?!
- Isso mesmo pergunta meu confessor.
- É? ...
- Digo-lhe sempre que nenhum. São todos moços educados.
- Moços educados! Por fora e por dentro? ...
- Só posso ver-lhes o exterior.
- De sorte que te preocupas só com o que aparece!
- Sim, senhora...
- E tu, menina do século XX, te julgas, como Aquiles, invulnerável? Donde esta tua fortaleza? (pra vencer a tentação)
- Faço as nove primeiras sextas-feiras, comungando nesses dias.
- Nove primeiras sextas-feiras para Jesus e os demais dias do mês para o mundo?
- !!...
- Nós comungamos todas as noites... Nas catacumbas.
- É muito comungar.
- É amar muito a nosso Senhor.
- Eu o amo também.
- Sei sim; nas nove primeiras sextas-feiras pela manhã.
- Vós viveis em tempos de perseguição. A Eucaristia é que é a vossa força.
- E a vós, menina cristã, ninguém vos persegue?
- Não!
- Não! E a vaidade? ... As amizades? ... As leituras? ... Os espetáculos e cinemas ...? Olha, menina: os Mandamentos de Deus são invariáveis. E por que te vestes assim, com estes braços e colo tão despidos? Com estas vestes tão ...?
- Mas! ... É a moda.
- E porque não se veste como cristã?
- Achar-me-ão ridícula. Queres que me vista como tu, com uma túnica tão comprida e ampla, com este véu dominical?
- Só quero ver em ti menos transparências. Sabes gramática?
- Estudo para professora.
- Muito bem. Pois os verbos transparecer, descobrir, adivinhar... Não se devem aplicar aos trajes da mulher cristã, nas suas relações com o corpo. Deve bastar-lhe o verbo cobrir... Tu me compreendes?
- Perfeitamente.
- Não te alegres por te acharem de talhe delgado, de ... Rejubila-te quando te achares um anjo de pureza e de beleza sobrenatural. Compreendes?
- Sim, sim.
- Pois medita sobre tudo isso, e adeus, senhorita Mimi.
- Adeus, Cecília.

(Grifos meus)  

Pequenina escrava de Amor da Santíssima Virgem Maria: Gislaide

Sermão sobre contracepção

quarta-feira, 15 de maio de 2013





Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. Ave Maria…


“Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorais sobre vossos filhos. Porque eis que virá um tempo em que se dirá: Ditosas as estéreis e ditosos os seios que não geraram e os peitos que não amamentaram.” (Lc XXIII, 28-29)

 

     Eis aqui a única referência que Cristo faz à contracepção e à mentalidade contraceptiva. Claro que essas palavras de Nosso Senhor são suscetíveis de várias interpretações e se aplicam a circunstâncias diversas, em particular ao momento da queda de Jerusalém e mesmo ao fim dos tempos. Mas é claro que Nosso Senhor se refere, aqui, também à contracepção e à mentalidade contraceptiva. E Ele o faz no meio de seus maiores sofrimentos, durante a Via Sacra. Durante toda a história da humanidade nunca vimos um período em que a contracepção estivesse tão disseminada como em nossos tempos. É preciso chorar, nos diz Nosso Senhor.

     A Igreja tem o direito e o dever dados por Deus para julgar sobre a moralidade dos atos e esse poder da Igreja em relação à moral se estende à Lei Natural, à explicação da Lei Natural. Esta lei decorre da própria natureza das coisas, a lei que decorre da própria natureza do homem, criada por Deus. Nós vemos que Deus formou nossas faculdades de um certo jeito e que, consequentemente, elas devem ser usadas segundo a intenção do Criador, se não quisermos ofendê-lo e prejudicar a nós mesmos.  Em outras palavras, Deus nos fez de um certo modo e isso traz para nós consequências de como devemos agir. De forma semelhante, quando se fabrica um carro, o fabricante o faz de uma certa maneira, tendo em vista seus objetivos. Assim, ele pode fabricar um carro que funciona somente com gasolina. Ora, se alguém vai contra a intenção do fabricante e coloca álcool no tanque de combustível, o carro terá vários problemas e não funcionará corretamente como deveria, se tivesse sido observada a intenção do fabricante.

     Dentre as faculdades que Deus deu ao homem, há a faculdade reprodutiva. E Ele formou tal faculdade de forma que dois aspectos dela sejam inseparáveis. No ato conjugal devem se encontrar necessariamente juntos os aspectos unitivo e procriativo. O elemento unitivo consiste no fato de que o ato conjugal, por sua própria natureza, faz do homem e da mulher uma só carne, unindo-os fisicamente. O aspecto unitivo não é aqui o amor entre os cônjuges, mas a união que faz deles uma só carne. O elemento procriativo consiste no fato de que o ato conjugal, por sua própria natureza, está fundamentalmente ordenado à procriação. Assim, esses dois aspectos do ato conjugal não podem nunca separar-se. Se alguém os separa irá gravemente contra a lei natural e, portanto, contra Deus, autor da lei natural. É de suma importância compreender isso: o aspecto unitivo e o aspecto procriativo não devem ser separados. Deus quis que os filhos fossem gerados por meio da união que se realiza no ato conjugal. E essa união pelo ato conjugal só se justifica quando tal ato é feito sem excluir a procriação.

     Essa doutrina imutável da Igreja nos leva a algumas conclusões importantes. Ela condena, por exemplo, a fertilização in vitro e a inseminação artificial, pois aqui o aspecto unitivo é deixado de lado. A Igreja é defensora da família e dos filhos, mas não a qualquer custo. Os fins não justificam os meios. A Igreja não pode ir contra a lei natural, contra Deus, para favorecer a procriação. Essas práticas que deixam de lado o aspecto unitivo vão gravemente contra a lei natural, feita por Deus, e são objetivamente um pecado grave.

     Outras consequências decorrem da doutrina da Igreja. Ela significa que uma pessoa não pode ser esterilizada a fim de evitar os filhos: ligadura das trompas e vasectomia são gravemente proibidas e também os que recomendam esses procedimentos e os médicos que os realizam cometem grave pecado. Esses procedimentos, sendo possível, devem ser revertidos, se o casal ainda se encontra em idade fértil. Preservativos e qualquer outro tipo de barreira artificial, como diafragma, por exemplo, também não são moralmente lícitos. Também as pílulas não podem ser tomadas, evidentemente, para evitar os filhos. E vale destacar que essas pílulas não somente impedem a gravidez, como podem causar aborto, impedindo a fixação do embrião na parede uterina, por exemplo.

     Em 1968, o Papa Paulo VI, na Encíclica Humanae Vitae, confirmou o ensinamento constante e imutável da Igreja tanto em relação aos dois aspectos do ato conjugal que não podem ser separados quanto à proibição dos métodos anticoncepcionais.

     Outra, porém, é a avaliação moral dos assim chamados métodos naturais, quer dizer, aqueles em que o casal reduz o uso do matrimônio aos dias inférteis da mulher. Em relação aos métodos naturais, é preciso dizer que é perfeitamente lícito o ato conjugal no período infértil, pois nesse caso a infertilidade não decorre da vontade dos cônjuges, mas da própria natureza. Assim o ato conjugal é lícito quando a infertilidade é natural, decorrente, por exemplo, do ciclo da mulher ou da idade. Todavia, embora os métodos naturais sejam em si moralmente lícitos, eles não podem ser usados por razões de contracepção ou por uma mentalidade contraceptiva, quer dizer, para evitar os filhos a todo custo ou para reduzir o número de filhos a um número que seja agradável para o casal.

     Para utilizar os métodos naturais de forma moralmente aceitável, é preciso que haja razões graves para que uma nova gravidez não aconteça. Destaco bem: são necessárias razões graves. Essas razões graves podem ser de ordem médica, eugênica, social, econômica. De ordem médica, física ou psicológica, por exemplo, se uma nova gravidez traz riscos sérios para a saúde da mãe. De ordem eugênica, por exemplo, se a probabilidade de o filho nascer com problemas ou deficiências é grande ou se há grande probabilidade de aborto espontâneo. De ordem social, por exemplo, se o governo aborta sistematicamente as crianças de um casal após o nascimento do primeiro, como é o caso na China. De ordem econômica, se o nascimento de mais um filho colocará os pais em situação econômica realmente difícil, por exemplo.

     As razões de ordem econômica devem ser graves: o não conseguir dar o melhor colégio ou a melhor comida para o filho não são razões graves. O ter de comprar um carro pior ou ter de baixar o status econômico também não são razões graves. Tem-se exagerado muito a questão econômica para justificar o uso dos métodos naturais. Repito: a razão econômica deve ser realmente grave. Como podem surgir muitas dúvidas sobre o saber se uma razão é ou não suficiente para a utilização dos métodos naturais, é preciso consultar um padre de segura doutrina moral. Pio XII diz: “se essas graves razões (para utilizar os métodos naturais) não estão presentes, a vontade de evitar habitualmente a fecundidade da união, mas continuando a satisfazer plenamente a sensualidade, só pode derivar de uma falsa apreciação da vida e de motivos alheios às retas normas éticas”.

     Resumindo, utilizar os métodos naturais sem ter uma razão realmente grave para tanto, é moralmente ilícito, é pecaminoso e deriva de uma mentalidade contraceptiva que precisa ser evitada, pois, além de ser em si pecaminosa, termina conduzindo à contracepção de fato. Além disso, para que os métodos naturais sejam utilizados é preciso que os dois cônjuges estejam de acordo, pois tais métodos supõem a abstenção do ato conjugal durante um certo período e isso não pode ser feito sem que o dois estejam de acordo, até para não dar lugar a tentações contra o matrimônio. O casal pode usar os métodos naturais para aumentar a chance de filhos, evidentemente. Podem, mas isso não é obrigatório, Ninguém está obrigado a ter o maior número possível de filhos, mas, sim, a aceitar todos os filhos que Deus enviar como fruto do uso normal do matrimônio.

     A contracepção e a mentalidade contraceptiva são hoje praticamente onipresentes. E, infelizmente, mesmo entre os católicos. A crise atual é de fé e moral. E as consequências são drásticas, lastimáveis e graves. A primeira consequência é, claro, para o próprio casal que vê a vida matrimonial naufragar. A recusa da primeira finalidade do matrimônio, que é a procriação, trará grandes prejuízos para o casal. A contracepção faz que homens e mulheres sejam vistos como objetos para fins sexuais. Mas a contracepção e a mentalidade contraceptiva causam também graves problemas na sociedade. O problema do aborto está diretamente ligado à contracepção. Ora, o objetivo da contracepção é fazer de tudo para praticar o ato conjugal sem ter filhos. Com essa mentalidade contraceptiva os filhos passam a ser vistos como inimigos do casal.  Mas, e se os métodos anticoncepcionais falharem? Ora, a gravidez vai contra a intenção de ter filhos, então, é preciso fazer um aborto. Depois se segue o infanticídio, pois se eu posso matar a criança na barriga da mãe, por que não posso matar assim que ela nascer? E isso já está sendo proposto em alguns países: o aborto pós-parto, quer dizer, o assassinato da criança depois de nascida. E tudo isso é lógico, pois o crime é o mesmo – o assassinato de um bebê – só muda o lugar e o momento. A que ponto chegamos, caros católicos?

     A chamada paternidade responsável por meio do uso da contracepção é, na verdade irresponsável e causa a irresponsabilidade. Ela é irresponsável, pois a pessoa quer justamente praticar um ato sem arcar com as consequências naturais de seu ato. Isso é o que se chama irresponsabilidade. E se a irresponsabilidade é defendida em matéria tão fundamental e básica, é claro que ela vai se propagar para outros domínios da vida. Não é por acaso se as pessoas e a sociedade tem se tornado cada vez mais irresponsáveis.

     O próximo passo, depois do aborto, é a eutanásia. A razão para não ter crianças é o fato delas serem um peso, um fardo. O passo seguinte é, então, eliminar os idosos que se tornam igualmente inconvenientes. Uma vez que o princípio por traz da contracepção – isto é, o prazer sem responsabilidades e a eliminação de tudo o que pode ser inconveniente – foi aceito, as consequências lógicas chegam, mais cedo ou mais tarde. E depois dos idosos, serão eliminados da sociedade todos aqueles que ela de alguma forma acha que são inconvenientes, que são um peso. E isso começa, por exemplo, com o aborto dos fetos anencefálicos. Nossa sociedade tão moderna e tão evoluída faz com muito mais perfeição o que fazia a Alamenha nazista de Hitler. Nós vemos, então, que a contracepção está na raiz da cultura da morte e podemos enxergar claramente a gravidade da contracepção e da mentalidade contraceptiva. E notem que, historicamente, a cultura da morte, de fato, começa com a contracepção, em seguida passa ao aborto, depois vem a eutanásia, e, finalmente, a eliminação de todos os que são considerados um peso por essa sociedade degenerada. Tudo foi muito bem organizado pelo inimigo do homem. É preciso notar também que quando uma sociedade se torna contraceptiva, há um aumento da homossexualidade, pois a contracepção indica que a finalidade das nossas vidas é o prazer sensual. E se a finalidade é essa, qualquer forma de prazer desse tipo se torna válida. Tudo está ligado, caros católicos.

     É preciso, portanto, ficar longe da contracepção, da mentalidade contraceptiva e de todas as suas consequências. A nossa atitude face aos filhos deve ser como a de Nossa Senhora: “faça-se em mim segundo a vossa palavra”. Os três bens do casamento são os filhos, a fidelidade e a indissolubilidade, O maior deles, porém, são os filhos. Os filhos não são um peso e não são um mal. Ao contrário, eles são a alegria e a glória dos pais. O casal deve estar sempre aberto a todos os filhos que Deus quer enviar e não podem evitá-los nunca por métodos anticoncepcionais e só poderão fazê-lo utilizando métodos naturais se houver razões graves para isso, como dissemos. Nesse assunto, reitero, é preciso consultar um padre que tenha segura e sólida doutrina moral.

     Aquele filho que o casal quer evitar – sem ter uma causa grave para tanto – é o filho que, talvez, nos planos de Deus iria mudar a família, como São Bernardo, que levou para a vida religiosa mais de trinta familiares. Ou talvez o filho que o casal queira evitar seja aquele que pode trazer grandes benefícios para a sociedade. Pode ser o santo de que nossa época tanto precisa. É preciso confiar também na providência divina. Se Deus manda um filho aos pais que permanecem fiéis e generosos, ele dará os meios para que os pais possam, cooperando com a graça divina, educar o filho e ajudá-lo a se salvar. Deus não pode nos pedir nada que seja impossível. Mas é preciso também recorrer a Ele. Grandes graças estão reservadas para o casal que confia na providência divina, aceitando todos os filhos que Deus manda.

“Faça-se em mim segundo a vossa palavra.”
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

A mulher na escola de Maria


     



     Um dos mais belos elogios que se têm feito da SS. Virgem é sem dúvida aquele que Dela fez S. Ambrosio nas palavras que acabamos de citar: a vida de Maria pode servir de regra a todas as vidas. É debaixo d’este ponto de vista, tão fecundo em lições práticas, que eu quereria estudar, durante este mês abençoado, a vida de Maria. Contemplá-la-emos então, alternadamente,como o modelo de todas as pessoas, das esposas, das mães de família, das viúvas, das pobres, das almas piedosas, como nosso modelo enfim em todas as condições da vida. Hoje, para introdução às instruções que vão seguir-se, tentemos responder a estas duas questões cuja solução não pode deixar de ser interessante: o que é o mês de Maria? Quais são os meios de aproveitarmos dele?


     1° O que vem a ser o mês de Maria? O mês de Maria é um mês especialmente consagrado a honrar a mãe incomparável de Deus e dos homens. A alma, nestes dias, diz-lhe de que amor arde por Ela, de que amor mais vivo ainda Ela deseja ser abrasada; diz-lhe com que impaciência espera o momento em que a há de amar sem interrupção e sem receio, com os coros celestes, com a assembleia dos bem-aventurados. Assim a alma preludia o amor da eternidade.



     O mês de Maria é um mês consagrado a meditar os privilégios insignes da Mãe de Jesus, e estes privilégios são admiráveis: predestinada desde a eternidade, estava presente no pensamento de Deus, no seu amor e na sua ternura, antes da origem dos séculos; estava presente aos conselhos da sua omnipotência e da sua sabedoria, quando criava o mundo e se dispunha a torná-lo a morada do homem; aos conselhos da sua misericórdia, quando deixava cair sobre Adão a sentença da sua justiça mitigada pelas promessas de perdão; aos conselhos da sua providência paternal, quando escolhia um povo, quando abençoava os patriarcas, quando iluminava os profetas e preparava as nações para a vinda de seu Filho. Maria era o objeto especial da predileção divina, quando era concebida isenta da mácula comum a todos os homens; prevenida da superabundância das graças celestes; saudada simultaneamente como mãe de Deus e Virgem imaculada; quando participava da efusão do Espírito Santo sobre os apóstolos; quando morria cheia de dias e inebriada de esperanças; quando ressuscitava antes do fim do tempo para ir assentar-se triunfante sobre um trono mais elevado que o trono dos querubins, Rainha dos Anjos, Mãe dos justos e Advogada dos pecadores. Tudo é privilegio nesta criatura maravilhosa. A alma admira-a sobre a terra e sente desfalecerem as suas forças; o espírito contempla-a e reconhece a sua fraqueza; para contemplar Maria, para A admirar, são precisos os esplendores e a vida da eternidade.

     O mês de Maria é um mês consagrado ao estudo das doces e heroicas virtudes da Filha mais perfeita do Rei dos reis, do santuário por excelência do Espírito Santo; um mês consagrado ao estudo da sua doçura, da sua modéstia, da sua humildade, da abnegação de si própria, do seu desprendimento e do seu desprezo do mundo, do seu zelo pela oração e coisas de Deus, da sua compaixão pelos pobres e pecadores, da sua caridade para com Deus, do seu amor da cruz e da vida escondida, de todas as virtudes enfim de que a sua alma estava cheia, como estava cheio de flores embalsamadas o jardim de delícias sob a Mão de Deus. Estudar estas virtudes é neste mundo a sabedoria; imitá-las é a vida; implantá-las no seu coração é a beatitude antecipada, é a aurora da celeste eternidade.

     O mês de Maria é um mês consagrado a orar à protetora dos cristãos, ao refúgio dos pecadores; um mês em que, com mais fervor, o pecador implora a sua conversão; o justo, a perseverança; a alma entregue à tentação, a vitória; a alma submetida à prova, a coragem e o alívio dos seus males. Que força não tem a oração a Maria, o apelo à sua misericórdia e ao seu poder! Mas a oração é o grito da indigência, da necessidade, da fraqueza, da angústia para a que é rica, forte, generosa, terna e compassiva; é o grito da criança para a sua mãe. Orar a Maria é premunir a alma contra os perigos do presente e as incertezas do futuro. Só Deus conhece tudo o que a oração a Maria obtém de graças, de conversões, de benefícios inesperados, de triunfos sobre o mundo e sobre o inferno; só a assembleia dos santos pode contar aqueles a quem a oração a Maria conduz todos os dias para a cidade bem-aventurada.

     E ainda dizemos mais: o mês de Maria é o mês das flores, o mês dos belos cânticos da natureza e dos seus mais puros perfumes. Não era justo que a piedade dos povos fizesse deste mês uma flor, um hino, um incenso de mais, oferecido Àquela que é o lírio imaculado da terra? Àquela cujo nome que per si é um cântico, uma melodia para o coração, e cujas virtudes espalham o odor da mirra, do cinamomo e do incenso? Esta piedade dos povos, a Igreja abençoou-a e propagou-a, e este mês de maio, o mais belo dos que nos dá a natureza, já não é chamado senão o mês de Maria. E em todas as paróquias católicas, nas cidades como nas mais humildes aldeias, celebra-se este mês de bênçãos. De todos os templos, de todos os santuários elevam-se acentos de amor em honra da Virgem bendita.

     O mês de Maria é como que um prolongamento das santas alegrias da Páscoa, Passamos assim da mesa eucarística ao altar de Maria, dos braços de um pai ao coração de uma mãe. Cada uma das outras solenidades consagradas a Maria não nos rejubila senão um dia, e deixa cada noite uma saudade às nossas alegrias. Esta, celebramo-la todo um mês, e cada noite conservamos a doce segurança de a encontrarmos no dia seguinte. Sim, é durante trinta e um dias que se elevará, de todos os pontos do mundo, o nosso concerto de louvores e de amor em honra Daquela que é o amor do céu e da terra. Durante um mês inteiro encheremos os seus altares de lumes e de flores, e endereçar-lhe-emos as nossas filiais orações. Do trono que lhe tiverem elevado as nossas mãos, do meio da auréola com que nós tivermos cercado a sua meiga imagem, vê-la-emos sorrir para os nossos votos, para as nossas homenagens, para as nossas confiantes invocações. Salve, pois, mês bendito, tocante festa celebrada em honra Daquela que é a nossa irmã e a nossa Mãe, nossa vida, doçura e esperança nossa. Formoso mês de Maria, mês dos seus favores mais especiais, prolonga então o teu curso; que as tuas horas amadas decorram lentamente, porque Maria é a nossa mãe, e é doce para os filhos repousar no regaço da sua mãe! Ela é a fonte das graças, e nós temos tanto que pedir!

     Como aproveitar do mês de Maria? Permita-me, que cite algumas palavras de um celebre cronista, (Venet) as quais sob uma forma familiar vos darão úteis lições.

     O mês de Maria, escreve ele, tem bem razão de ser uma festa jubilosa que nos dispensa das mortificações; mas festejêmo-lo, mortificando alegremente algumas das nossas fraquezas. Oferecem-se nestes dias à SS. Virgem magníficas flores colhidas nos jardins; façamos isto, e façamos outra coisa. Ponhamo-nos em condições de lhe oferecer, no termo do mês que, ora começa, um bonito ramo de defeitos colhidos no jardim que vós sabeis, e de onde eles brotam tanto! Julgais que semelhante bouquet seria mal acolhido? Engano! Conheço um indivíduo que guarda cuidadosamente um raminho de urze, do tamanho de um dedo, e estima-o mais do que a mais bela rosa ou o mais esplendido cacho de lilás. É que ele colheu o humilde pezinho de urze, com grande custo, e com as mãos avermelhadas pelo frio, no cume do Monte Branco! Pois bem! Deste raminho de urze deste Monte Branco, não há de que se jactar; todos o podem atingir. Com um bom guia, bons sapatos ferrados, e o estimulante do orgulho, o primeiro touriste recém vindo chega à cumeeira e arranca a urze. Arrancar um defeito ou um velho viciozinho é diversamente mais difícil! E assim, devemos estar convencidos de que a oferenda de que eu falava ainda há pouco teria mais valor aos olhos da SS. Virgem do que o mais rico ramo de flores naturais, tanto mais que um não impede o outro. O método é o seguinte : no primeiro dia escolhereis um dos vossos defeitos, meditá-lo-eis afim de o detestardes, e de um ao outro sol fareis esforços contra ele para o vencerdes. No segundo dia, passais a outro defeito, desconfiando sempre do primeiro que só está meio vencido. Isto vos importuna, mas tende paciência. No terceiro dia, um terceiro defeito, e a mesma prática. É já menos difícil. No quarto dia, quarto defeito, e assim sucessivamente até ao trigésimo dia, levando o ataque a trinta defeitos diferentes. Direis talvez: Mas seria preciso ter trinta defeitos! Isso seria enorme! Ah! Senhor retirai mui depressa esta objeção; mesmo sem examinar o seu caráter ou os seus hábitos à lupa, cada um de nós tem bem mais de trinta defeitos. Metei mãos à obra generosamente, e estai bem certas de que apesar da vossa boa vontade, ficar-vos-á ainda com que fazer um belo ramo no próximo ano.



PRÁTICA

      Desde hoje, estudemos a nossa paixão dominante, a fim de a combatermos e de começarmos por ela a reforma dos nossos defeitos.


ORAÇÃO

     Oh! Nossa Senhora de Maio, durante este mês que nos é tão caro, com que transportes não viremos rodear os vossos altares! Que felicidade de contarmos os vossos louvores, e de repetirmos junto a vós este cântico que os séculos não cessam de repetir, e que nós repetiremos com eles: Vós sois bem-aventurada! Feliz não somente porque trouxestes no vosso seio e aquecestes ao vosso coração o filho do Eterno, mas sobretudo, feliz e bem-aventurada, porque crestes na palavra de Deus, e praticastes a sua lei. Obtende-nos, oh Nossa Mãe, que a creiamos e pratiquemos como vós mesma, afim de que um dia possamos ser felizes à Vossa beira.

Assim seja.

Maria, modelo de modéstia

quinta-feira, 2 de maio de 2013


Por São Pedro Julião Eymard

Maria Santíssima [...] exteriormente é modesta. Não se faz notar pela severidade nem pela negligência. Sempre humilde e mansa, traz o sinal da simplicidade em tudo que realiza.

Modesta em relação ao mundo. Maria sacrifica com generosidade a condição de gestante; vai imediatamente, vencendo grande distância, visitar sua parenta Isavel, levando felicitações e auxílio. Durante três meses acompanha e serve, trazendo grande alegria ao lugar. Somente quando a glória do Filho exigir aparecerá em público. Assistirá às bodas de Caná sem nenhum privilégio. A modéstia faz com que pratique a caridade de acordo com a ocasião.


Modesta no cumprimento dos deveres.Desempenha com suavidade, sem precipitações, sempre alegre e disposta a abraçar uma nova obrigação; não deixa transparecer as contrariedades, não busca consolações e pela naturalidade não atrai a atenção dos demais. Modelo exemplar para os adoradores do Santíssimo Sacramento; cuja vida se compõe de pequenos atos e de pequenos sacrifícios, que somente Deus deve conhecer e recompensar; cuja glória e conforto consistem na filial e humilde dedicação no cumprimento dos deveres, ambicionando agradar o Mestre pela contínua imolação de si mesmos.


Modesta na piedade. Elevada ao mais alto grau de contemplação que uma criatura possa atingir, vivendo no constante exercício do perfeito amor, exaltada acima dos anjos e constituída Mãe de Deus, mesmo com todas essas prerrogativas, serve o Senhor com simplicidade; sujeita-se às prescrições da lei, assiste às festas, reza junto com os demais fiéis; em nada se faz notar, nenhum exercício exterior demonstra sua piedade e o seu fervor. Assim deve ser a piedade do cristão: comum em suas práticas, simples em seus meios, modesto no agir, evitando chamar a atenção, fruto sutil do amor próprio que leva à vaidade e à ilusão.



Modesta nas virtudes. Possui todas as virtudes em grau supremo, praticados com suma perfeição, embora de forma simples e usual. Em todos os favores recebidos, a humildade vê somente a bondade de Deus, somente agradece. Agradecimento escondido e sem glória humana. Pode, porventura, vir coisa boa de Nazaré ? (Jo 1, 46). Ninguém presta atenção em Maria, passa totalmente desapercebida.



Eis o segredo da Perfeição: a simplicidade, mesmo quando ignorada, saber conservá-la. Uma virtude acentuada fica exposta, uma virtude louvada pode trazer a ruína; a flor que mais chama a atenção, murcha depressa.
Afeiçoemo-nos às pequenas virtudes de Maria de Nazaré, que germinam aos pés da cruz, à sombra de Jesus; deste modo, não temeremos as tempestades que abatem os cedros nem o raio que cai no cimo da montanha.



Modesta nos sacrifícios. Aceita em silêncio e conformidade o exílio no Egito. Diante da dúvida de José, permanece em silêncio, confia na providência. Traspassada pela dor, acompanha o Filho que carrega a cruz, não grita nem lamenta exteriormente. No Calvário, mergulhada em sua dor, sofre calada e se despede do Filho num olhar mudo.



Maria é também modesta em sua glória. Como Mãe de Deus, possuía todos os direitos e todas as homenagens, entretanto abraça a provação e o sacrifício. Não aparece nos triunfos do Filho, porém está aos pés da cruz.



Para ser filhos desta Mãe, devemos nos revestir de modéstia, deve ser tema usual de nossa meditação. A modéstia é virtude régia de um adorador do Santíssimo Sacramento, pois fornece a exterioridade dos sentidos na presença de Deus.


Extraído da Obra Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento: Um mês com Maria, de São Pedro Julião Eymard, Editora Formatto, 2008, p.50-53

Você quer realmente um namoro casto?

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

“Que bela é a santa pureza! Mas não é santa nem agradável a Deus, se a separamos do amor. O amor é a semente que crescerá e dará frutos saborosíssimos com a rega que é a pureza. Sem amor, a pureza é infecunda, e as suas águas estéreis convertem as almas num lamaçal, num charco imundo, donde saem baforadas de soberba.” São Josemaria Escrivá


Graças a Deus vemos crescer o número de pessoas com vontade de viver um relacionamento casto, mas com a nossa fraqueza incitada pelo pecado original sempre inventamos desculpas pra viver um namoro com a intenção de ser casto, mas que na prática não é tão casto assim. 

Existem várias questões a ser tratadas sobre o assunto, mas algumas delas são de suma importância e são as que serão tratadas aqui, essas questões giram em torno de um fundamento básico para se ter um relacionamento casto, é a nossa disposição ao sacrifício e vontade de proteger o outro para que ele não caia em pecado, a abrir mão de certos prazeres e caprichos próprios de vaidade se eles forem ocasião de pecado.
Deste modo podemos formular duas perguntas básicas que o casal ou os solteiros que querem viver um namoro casto devem-se fazer e refletir bastante para verem se realmente estão querendo um relacionamento limpo, a primeira tem a ver com a modéstia e o pudor, não há a mínima possibilidade de um relacionamento ser casto se o casal não se porta - no modo de se vestir e agir - de forma modesta, pois a falta de pudor provoca situações de pecado. 

A segunda questão tem a ver com certas formas de carinho que acontecem no namoro que se tornam ilícitas por também colocar o casal em ocasião próxima de pecado. Antes de colocar as questões, como este é um assunto bastante amplo e discutido, ao final do texto deixarei alguns links referentes aos assuntos abordados, recomendo e gostaria muito que lessem a fim de um melhor entendimento sobre assuntos que são de tão importância, isso lhes esclarecerá muitas dúvidas que podem surgir após a leituras destas questões.
A primeira é: Você mudaria o seu modo de vestir-se? Sabendo que certas roupas são provocantes, que incitam o olhar, você abriria mão de usá-las trocando-as por roupas modestas a fim de proteger o outro de não cair no pecado do olhar? Quem provoca gera um pensamento impuro no outro, e isso é o estopim para uma ação do mesmo modo.
"A modéstia não diz respeito somente ao exterior, porque a maneira com que nos vestimos é um sinal do nosso interior. É um sinal de que não precisamos ficar nos "atirando" visualmente para os rapazes, na esperança de ganhar sua atenção. Tenha certeza que nós temos o poder de fazer as cabeças se voltarem para nós. Mas também temos o poder de fazer os corações se voltarem para nós. Podemos procurar conduzir esses corações para o paraíso ou para nós mesmas. Mas quando fazemos a atenção deles se voltar para as partes do nosso corpo, estamos convidando-os a nos "amar" pelas coisas erradas. " Cristalina Evert [1]
E a segunda: Você abriria mão de ter beijos íntimos até o casamento? Sabendo que este tipo de beijo sempre provoca a libido e conseqüentemente coloca o casal em ocasião próxima de pecado - o que já é um pecado em si - você abriria mão de tê-los para proteger seu (ua) namorado (a)?
"Outro tema que costuma passar por alto é a situação de um homem e de uma mulher que, sentados no carro, se beijam - "só isso, carinhosamente" - durante um bom tempo. Além a tentação de cair num pecado sexual, aqui há um problema. O propósito do namoro é chegar a conhecer a outra pessoa para ver se seria conveniente casar-se com ela. os beijos prolongados não ajudam a alcançar esse objetivo. Geralmente, faz-se isso por ser agradável, não para se chegar a uma descoberta interpessoal. De modo que, ainda que os beijos prolongados não provoquem excitação (o que poderia ser caso para uma consulta médica), são contraproducentes para o namoro. São pelo menos um pecado contra a virtude da prudência.[...] Pôr-se voluntariamente em perigo de pecar já é um pecado.' 
Pe. Thomas Morrow [2]
Bem lá no fundo você sabe que o que está escrito acima é verdade, então reflita: Quem ama de verdade quer proteger o outro e faz os sacrifícios necessários para que ele não caia em pecado. Você faria estes sacrifícios pelo bem do outro? Quem não está disposto a fazer sacrifícios no namoro não terá forças para suportar os sacrifícios que a vida matrimonial pedirá no futuro.

Que a Virgem Santíssima e o Glorioso São José, seu casto esposo nos conduzam a termo neste caminho, pois ele só vale a pena se o objetivo for a maior Glória de Deus.
Links recomendados sobre as questões acima:


Parresía “Pudor e Modéstia”, do Pe. Paulo Ricardo de Azevedo.
 Tiago Martins
[1] Trecho do livro "Pure Womanhood" (Pura Feminilidade) de Crystalina Evert, San Diego, Ed. Catholic Answers, 2008.
[2] Retirado do livro: Namoro Cristão em um mundo supersexualizado, Pe. Thomas Morrow

Fonte:http://materdei1.blogspot.com.br/

Roupa de Missa - três cenas

terça-feira, 16 de outubro de 2012




Antes de iniciar qualquer argumentação neste artigo, gostaria de tratar de algumas cenas que podem acontecer neste contexto:
Cena 1 - Domingo, antes da missa, o católico (ou a católica) abre seu guarda-roupa e veste-se normalmente: se está calor, o moço coloca sua bermuda e camisa regata, e a moça sua blusa de alça e com decote com uma calça de ginástica, a roupa da moda. Vai à missa, afinal, "o que importa é o que está no coração";
 

Cena 2 - Domingo, o católico se depara com seu guarda-roupa e precisa peneirar para encontrar alguma roupa que se adeque ao momento: a Santa Missa. Sabe que precisa vestir-se com "certa" modéstia, então procura alguma roupa que não tenha nada decotado ou seja muito curto. Vai à missa satisfeito, afinal, está comportado e vestido "próprio para a ocasião";

Cena 3 - Domingo, um católico abre seu guarda-roupa e entre todas as suas roupas escolhe aquela mais apropriada, ou seja, aquela que é a mais bonita, a mais nova etc, a "roupa de missa", como era chamada antigamente. Não que as demais roupas não sejam apropriadas, mas é bom sempre agradar um pouco mais a Deus.
 
Partindo destas três cenas, é fácil perceber qual está completamente incorreta: a primeira. O clichê "o que importa é o que está no coração" só é dito por aqueles que se recusam a fazer algo mais para Deus, que se esquecem sobre a sacralidade de seu corpo e acham que o que está no coração não precisa se refletir no exterior. Entretanto, o que a Igreja prega e sempre pregou é que a piedade também deve ser demonstrada externamente: de que adianta eu dizer que respeito e honro a Deus, se me coloco à frente dEle como me colocaria na frente de um qualquer, em uma praia ou na academia? Mas e se fosse uma visita a um Rei, ao Presidente, será que me vestiria assim? Deus pode não "precisar" que nos visitamos com nossas melhores roupas, mas nós precisamos demonstrar nosso respeito e adoração por Ele da melhor forma que pudermos, interna e externamente. E isso com certeza será muito mais agradável ao olhos dEle, se estivermos bem dispostos no interior e no exterior.
No entanto, a segunda e a terceira cena podem parecer ter pouca diferença, mas há uma diferença gritante entre ambos os católicos apresentados. A segunda cena mostra um católico que tem "roupa decente para ir à missa" e "roupa indecente, que não dá para ir à missa". Mas... então pode usar roupa indecente fora da missa? Esta definição de hoje de "roupa de missa" é muito diferente de outrora, é uma definição que demonstra que não estamos impregnados com a castidade, com a modéstia, com o pudor em nosso dia-a-dia. O simples fato de sair da porta da Igreja não nos dá o direito de usar um decote avantajado ou uma saia curta, "porque está na moda". Todo o dia é dia para se policiar no vestir, para sermos espelho de Deus, para darmos testemunho com nosso exemplo.
Já na terceira cena, a "roupa de missa" como sempre foi vista: aquela nossa melhor roupa, a roupa mais nova, a mais bonita. Posso não ter mais que duas peças de roupa, mas aquela que é a que eu mais gosto, então é esta que irei usar. Posso ter apenas roupas doadas, se minhas condições não permitem comprar roupas novas, mas "aquela" roupa, a mais bonita, é a que irei usar. E é isso que importa aos olhos de Deus: não é ter uma roupa que custe milhões, mas dar o nosso melhor a Ele. Não como no primeiro caso, onde a pessoa acha que basta dar o seu "melhor interior", mas sim doar-se por inteiro, da maneira que estiver ao seu alcance, para agradar a Deus, como aquela mulher que deu apenas algumas moedas, mas estas poucas moedas eram tudo o que tinha. E neste último caso, a pessoa já está inteiramente junto de Deus no seu vestir, não tem a idéia de que roupas decotadas e curtas só não podem ser usadas dentro da Igreja. Seu exterior reflete o seu interior em todos os lugares e, principalmente, dentro da casa de Deus e diante do Sacrifício da Cruz.

Como a mulher se veste hoje



Por Daniel Pinheiro

Há algum tempo soubemos que um primo de nossa família, que mora no interior do Ceará, passou por uma grande dificuldade. Um dia, ligaram para ele de uma loja de São Paulo, dizendo que ele tinha uma dívida lá de mais de mil reais. Ele nunca foi pra São Paulo, e nunca fez compras nessa loja.
Ele descobriu, com isso tudo, que algum espertinho tinha aberto uma conta com os dados dele – identidade, CPF, e nome completo – em um banco de São Paulo, e tinha conseguido um certo crédito, usando-o para gastar mais de dois mil reais em várias lojas. Foi um tormento para ele provar que não tinha nada a ver com aquilo. Engraçado que ele não tem muitas contas, nem faz muitas compras por aí para que o número de seus documentos fique circulando pelo mundo. Depois disso tudo, ele redobrou os cuidados. Afinal de contas, seu nome e o número de seus documentos tinham sido usados por outras pessoas para proveitos egoístas.
Fiquei pensando, então, sobre a importância de guardar aquilo que é nosso, que tem valor para nós, para que não seja usado por pessoas que muitas vezes nem conhecemos. Imagine que uma grife quisesse divulgar uma nova moda de estampar nas camisetas o nome completo, o número do CPF e da identidade da pessoa. Creio que essa moda não ia pegar.
Ninguém, em sã consciência, sai por aí divulgando seus dados pessoais.
No entanto, temos algo de muito mais valioso que nosso nome, nosso dinheiro ou nossos documentos. É o nosso próprio corpo, que faz parte, da maneira mais íntima possível, do “todo” que somos como pessoas, como seres humanos.
Percebem como é ilógico que a moda e sociedade ditem parâmetros que fazem as mulheres mostrarem demais seu corpo? Ficaríamos surpresos com alguém que estampasse na camiseta o nome completo e o número dos seus documentos. Afinal de contas, alguém poderia usar aquilo para fins não muito bons, em detrimento da própria pessoa. Muito mais, porém, deveríamos nos espantar ao ver mulheres que mostram demais o próprio corpo, que é muito mais valioso do que nome ou documentos. Assim, de certo modo, elas se permitem ser usadas por aqueles que, certamente, olharão para ela com luxúria. Há prejuízos na dignidade tanto de quem olha como de quem é vista.
Tudo isso nos faz pensar como é sedutor o discurso da moda, da sociedade, da “revolução sexual”, para que tenhamos chegado ao ponto de considerar normal, natural, e desejável esse tipo de “uso” do corpo.
O Papa João Paulo II disse que há uma oposição entre o amor e a atitude de “usar” uma pessoa para o próprio deleite. Ele chama essa atitude de “utilitarista”, e lhe faz muitas críticas. Segundo ele, “o utilitarismo introduz uma relação paradoxal: cada uma das duas pessoas toma fundamentalmente a atitude de assegurar o próprio egoísmo, e ao mesmo tempo concordar em servir ao egoísmo do outro, desde que isso lhe ofereça a ocasião de satisfazer o próprio egoísmo. (…) [Essa atitude] prova essencialmente que a pessoa (…) se rebaixa ao nível de meio, de instrumento, (…) [o utilitarismo] é uma espécie de antítese do amor” (Amor e Responsabilidade, p. 33).
Para João Paulo II, só o amor dignifica a pessoa. Em suas palavras, “a pessoa é um bem tal que só o amor se relaciona com ela própria e plenamente”.
E então? Que tal agora se perguntar sobre a maneira como me visto e me comporto? Será que ela está induzindo o outro a me ver como um “instrumento” para seu prazer, em uma atitude “utilitarista”? Ou será que ela está suscitando no outro o desejo de me amar pela minha pessoa inteira, corpo e alma, e não só o corpo?