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DA VIGILÂNCIA SOBRE OS PENSAMENTOS

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Salve Maria Puríssima! 

1)                A respeito dos maus pensamentos encontra-se, muitas vezes, um duplo engano:

 a) Almas que temem a Deus e não possuem o dom do discernimento e são inclinadas aos escrúpulos, pensam que todo mau pensamento que lhes sobrevêm é já um pecado. Elas estão enganadas, porque os maus pensamentos em si não são pecados, mas só e unicamente o consentimento neles. A malícia do pecado mortal consiste toda e só na má vontade, que se entrega ao pecado com claro conhecimento de sua maldade e plena deliberação de sua parte. E, por isto, Santo Agostinho ensina que não pode haver pecado onde falta o consentimento da vontade.

Por mais que sejamos atormentados pelas tentações, pela rebelião de nossos sentidos, pelas comoções ou sensações desregradas de nossa natureza corpórea, não existe pecado algum enquanto faltar o consentimento, como ensina também São Bernardo, dizendo: "O sentimento não causa dano algum, contanto que não sobrevenha o consentimento".

Para consolar tais almas timoratas e escrupulosas, quero oferecer-lhes aqui uma regra prática, aceita por quase todos os teólogos: Quando uma alma que teme a Deus e detesta o pecado, duvida se consentiu ou não em um mau pensamento, não está obrigada a confessar-se disso, porque, em tal caso, se tivesse realmente cometido um pecado mortal, não estaria em dúvida a esse respeito, porque o pecado mortal, para uma alma que teme a Deus, é um monstro tão horrendo, que não poderá ter entrada em seu coração sem o perceber.

b) Outros, que possuem uma consciência mais relaxada e são mal instruídos, julgam, pelo contrário, que os maus pensamentos nunca são pecados, mesmo havendo consentimento neles, contanto que não se chegue a praticar. Este erro é muito mais pernicioso que o primeiro. O que se não pode fazer, não se pode também desejar; por
isso, o mau pensamento em si contêm toda a malícia do ato. Assim como as más obras nos separam de Deus, também os maus pensamentos nos afastam d'Ele e nos privam de Sua graça. "Pensamentos perversos nos separam de Deus" (Sab 1, 3). Como as más obras estão patentes aos olhos de Deus, também Sua vista alcança todos os nossos maus pensamentos para condená-los e puni-los, pois "um Deus de ciência é o Senhor, e diante d'Ele estão patentes todos os pensamentos" (I Rs 2, 3).

2)                 Logo, nem todos os maus pensamentos são pecados, e nem todos os que são pecados trazem em si o mesmo cunho de malícia. Devemos considerar três coisas quando se trata de um pecado de pensamento, a saber: a sugestão, a deliberação e o consentimento. Alguns esclarecimentos a esse respeito:

a) Sob a palavra sugestão entende-se o primeiro pensamento que nos incita a praticar o mal que nos vem à mente. Esta instigação ou incitamento ainda não é pecado; se a vontade a repele imediatamente, é mesmo uma fonte de merecimentos. "Para cada tentação a que opuseres resistência, se te deverá uma coroa", diz Santo Antão. Até os Santos foram perseguidos por tais pensamentos. São Bento revolveu-se sobre os espinhos para vencer uma tentação impura, e São Pedro de Alcântara lançou-se em poço de água gelada. São Paulo nos informa que também ele foi tentado contra a pureza: "E para que a grandeza das revelações não me ensoberbece, foi-me dado um espinho em minha carne, um anjo de satanás para me esbofetear" (2 Cor 12, 7). O Apóstolo suplicou várias vezes ao Senhor que o livrasse desse inimigo: "Por essa causa roguei ao Senhor três vezes que o afastasse de mim". O Senhor não quis, porém, dispensá-lo do combate, e respondeu-lhe: "Basta-te a minha graça". E por que não queria o Senhor livrá-lo? Para que adquirisse maiores méritos por sua resistência à tentação: "Porque a virtude se aperfeiçoa na fraqueza". São Francisco de Sales diz que quando um ladrão procura arrombar uma porta, é porque não está ainda dentro da casa; assim também, quando o demônio tenta uma alma, é porque se acha ela ainda na graça de Deus.

Santa Catarina de Sena foi uma vez horrivelmente atormentada pelo demônio, durante três dias, com fortes tentações impuras. Apareceu-lhe então o Senhor para consolá-la, e ela perguntou-lhe: - Mas onde estivestes, Senhor meu, durante estes três dias? Jesus respondeu-lhe: Dentro do teu coração, dando-te força para resistires à tentação. E o Senhor deu-lhe a conhecer que o seu coração estava, depois da tentação, mais puro que antes.

b) À sugestão segue-se a deleitação. Quando nos damos ao trabalho de repelir imediatamente a tentação, sentimos nela uma certa complacência ou prazer, que nos vai arrastando ao consentimento. Mesmo então, se a vontade não dá seu assentimento, não há pecado mortal; quando muito, poderá haver pecado venial. Se, porém, não recorrermos então a Deus e não nos esforçarmos por resistir à tentação, facilmente nos sentiremos arrastados ao consentimento e perdidos, segundo as palavras de Santo Anselmo (De similit., c. 40): "Se não procuramos impedir a deleitação, ela se transformará em consentimento e matará a alma".

Uma senhora, que tinha fama de santa, teve, um dia, um mau pensamento, que não repeliu imediatamente, e pecou por pensamento. Por vergonha deixou de confessar esse pensamento criminoso e morreu, pouco depois, em estado de pecado. Porque morreu com fama de santidade, mandou o bispo que fosse sepultada em sua própria capela. No dia seguinte, porém, apareceu-lhe ela, toda circundada de fogo, e confessou-lhe, infelizmente já tarde demais, que estava condenada por ter consentido num mau pensamento.

c) Toda a malícia do mau pensamento está, porém, no consentimento. Havendo pleno consentimento, perde-se a graça de Deus e chama-se sobre si a condenação eterna, quer se tenha o desejo de cometer um pecado determinado, quer se pense ou reflita com prazer no pecado como se o estivesse cometendo. Esta última espécie de pecado chama-se uma deleitação deliberada ou morosa, e deve-se distinguir bem da primeira, isto é, do pecado de desejo.

3)                 Se fores, pois, molestada por tais tentações, alma cristã, não deves perder a coragem, antes, animosamente combater, empregando os meios que te vou indicar, e não sucumbirás:

a) O primeiro é humilhar-se continuamente diante de Deus. O Senhor castiga muitas vezes os espíritos soberbos, permitindo que caiam em qualquer pecado impuro. Sê, pois, humilde, e não confies em tuas próprias forças. Davi confessa que caiu no pecado por não ter se humilhado e ter confiado demais em si mesmo: "Antes de me haver humilhado, eu pequei" (Sl 118, 67). Devemos temer sempre a nossa própria fraqueza e colocar em Deus toda a nossa confiança, esperando firmemente que nos preserve desse vício.

b) O segundo meio é recorrer imediatamente a Deus, sem entrar em diálogo com a tentação. Logo que se apresentar ao nosso espírito um pensamento impuro, devemos elevar a Deus imediatamente o nosso pensamento ou dirigi-lo a qualquer objeto indiferente. A coisa melhor será invocar imediatamente os Santíssimos Nomes de Jesus e Maria, e não cessar de repeti-los até desaparecer a tentação. Se ela for muito forte, será bom repetir muitas vezes o seguinte propósito: Ó meu Deus, prefiro morrer a Vos ofender. Peça-se socorro, dizendo: Ó meu Jesus, socorrei-me. Maria, assisti-me. Os Nomes de Jesus, Maria e José possuem uma força especial para afugentar as tentações do demônio.

c) O terceiro meio é a recepção assídua dos Santos Sacramentos da Confissão e da Comunhão. É de suma importância revelar quanto antes ao confessor as tentações impuras. "Uma tentação revelada já está meio vencida", diz São Filipe Néri. E se alguém teve a infelicidade de consentir em uma tentação, não se demore nenhum instante em se confessar disso. São Filipe Néri livrou um rapaz desse vício, induzindo-o a confessar-se logo depois de cada queda.

A Santa Comunhão, está fora de dúvida, confere uma grande força na resistência às tentações desonestas. O Sangue de Jesus Cristo, que recebemos na Sagrada Comunhão, é chamado pelos Santos de 'Vinho gerador de Virgens' (Zac 9, 17). O vinho natural é um perigo para a castidade; este Vinho Celestial é o seu conservador.

d) O quarto meio é a devoção à Imaculada Mãe de Deus, que é chamada a Virgem das Virgens. Quantos jovens não se conservaram puros e castos como Anjos, devido à devoção à Santíssima Virgem!

e) O quinto meio é a fuga da ociosidade. O Espírito Santo diz (Ecli 33, 21): "A ociosidade ensina muita coisa má", isto é, ensina a cometer muitos pecados. E o profeta Ezequiel (Ez 16, 49), assevera que foi a ociosidade a causa das abominações e ruína final dos habitantes de Sodoma. Conforme São Bernardo, a ociosidade motivou a queda de Salomão. Por isso São Jerônimo exorta a Rústico (Ep. ad Rust., 2) que esteja sempre ocupado, para que o demônio não o preocupe com suas tentações. "Quem trabalha é tentado por um demônio só; quem vive ocioso, é atacado por uma multidão deles", diz São Boaventura.

f) O sexto meio consiste no emprego de todas as precauções exigidas pela prudência, tais como a modéstia dos olhos, a vigilância sobre as inclinações do coração, a fugida das ocasiões perigosas, etc.

Fonte: Tratado da Castidade - Santo Afonso


EXCELÊNCIA DA CASTIDADE

Salve Maria Puríssima!

Ninguém melhor que o Espírito Santo saberá apreciar o valor da castidade. Ora, Ele diz: "Tudo o que se estima não pode ser comparado com uma alma continente" (Ecli 26, 20), isto é, todas as riquezas da terra, todas as honras, todas as dignidades, não lhe são comparáveis. Santo Efrém chama a castidade de "a vida do espírito"; São Pedro Damião, "a rainha das virtudes"; e São Cipriano diz que, por meio dela, se alcançam os triunfos mais esplêndidos. Quem supera o vício contrário à castidade, facilmente triunfará de todos os mais; quem, pelo contrário, se deixa dominar pela impureza, facilmente cairá em muitos outro vícios e far-se-á réu de ódio, injustiça, sacrilégio, etc.

A castidade faz do homem um anjo. "Ó castidade, exclama Santo Efrém (De cast.), tu fazes o homem semelhante aos anjos". Essa comparação é muito acertada, pois os anjos vivem isentos de todos os deleites carnais; eles são puros por natureza; as almas castas, por virtude. "Pelo mérito desta virtude, diz Cassiano (De Coen. Int., 1. 6, c. 6), assemelham-se os homens aos anjos"; e São Bernardo (De mor. et off., ep., c. 3): "O homem casto difere do anjo não em razão da virtude, mas da bem-aventurança; se a castidade do anjo é mais ditosa, a do homem é mais intrépida". "A castidade torna o homem semelhante ao próprio Deus, que é um puro espírito", afirma São Basílio (De ver. virg.).

O Verbo Eterno, vindo a este mundo, escolheu para Sua Mãe uma Virgem, para pai adotivo um virgem, para precursor um virgem, e a São João Evangelista amou com predileção porque era virgem, e, por isso, confiou-lhe Sua santa Mãe, da mesma forma como entrega ao sacerdote, por causa de sua castidade, a santa Igreja e Sua própria Pessoa.

Com toda a razão, pois, exclama o grande doutor da Igreja, Santo Atanásio (De virg.): 'Ó santa pureza, és o templo do Espírito Santo, a vida dos Anjos e a coroa dos Santos!".

Grande, portanto, é a excelência da castidade; mas também terrível é a guerra que a carne nos declara para no-la roubar. Nossa carne é a arma mais poderosa que possui o demônio para nos escravizar; é, por isso, coisa muito rara sair-se ileso ou mesmo vencedor deste combate. Santo Agostinho diz (Serm. 293): "O combate pela castidade é o mais renhido de todos: ele repete-se cotidianamente, e a vitória é rara".

"Quantos infelizes que passaram anos na solidão, exclama São Lourenço Justiniano, em orações, jejuns e mortificações, não se deixaram levar, finalmente, pela concupiscência da carne, abandonaram a vida devota da solidão e perderam, com a castidade, o próprio Deus!"


Por isso, todos os que desejam conservar a virtude da castidade devem ter suma cautela: "É impossível que te conserves casto, diz São Carlos Borromeu, se não vigiares continuamente sobre ti mesmo, pois negligência traz consigo mui facilmente a perda da castidade".

Fonte: Tratado da Castidade - Santo Afonso

Quais são as carícias permitidas no namoro?

Salve Maria Puríssima!






Se o sexo fora do casamento é pecado, até onde podem ir as carícias no namoro? Para compreender a delicadeza do tema, é preciso lembrar que nem sempre o oposto do amor é o ódio. Na teologia moral, o contrário do amor pode ser justamente "usar o outro", usar o corpo da outra pessoa para o
próprio prazer e gratificação sexual.

Muitas coisas num namoro são feitas justamente "em nome do amor", porém, são exatamente o contrário disso: são a prova de que não há amor nenhum, mas sim um uso do outro. Não há sujeito, mas tão somente um objeto.

A linha que torna as carícias imorais num namoro obedece a um critério fundamental: o próprio corpo. Quando o corpo começa a sinalizar que está se preparando para uma relação sexual, é porque o limite foi ultrapassado. A lógica é simples: se duas pessoas não vão manter uma relação sexual, não precisam preparar-se para ela. Nesse sentido, insistir indevidamente em carícias representa um grave risco para ambos.

O Padre Antonio Royo Marín, O.P., em sua obra Teología Moral para seglares ["Teologia Moral para leigos"][01], apresenta um esquema bastante específico sobre as práticas que se constituem pecado. Ele afirma que olhar e tocar nas partes íntimas da outra pessoa é pecado grave:

600. 1º. Olhares e toques.

a) Será ordinariamente pecado mortal olhar ou tocar sem causa grave (como a tem o médico, cirurgião, etc.) as partes desonestas de outras pessoas, sobretudo se são do sexo oposto, ou se são do mesmo, se se tem inclinação desviada por ele. Diga-se o mesmo com relação aos seios das mulheres.

b) Pode ser simplesmente venial olhar as próprias partes unicamente com rapidez, curiosidade, etc., excluída toda intenção venérea ou sensual e todo perigo próximo de excitar nelas movimentos desordenados. Não é pecado algum fazer o mesmo por necessidade ou conveniência (v.gr., para curar uma enfermidade, lavar-se, etc.)

c) Para julgar a importância ou a gravidade dos olhares e dos toques nas partes restantes do próprio corpo ou de outros, mais que a anatomia, há que se conhecer a intenção do agente, o influxo que pode exercer na comoção carnal e as razões que houve para permiti-los, de acordo com os princípios anteriormente expostos. Às vezes será pecado mortal o que em outras circunstâncias ou intenções seria tão somente venial e quiçá pecado algum.

d) O que foi dito em relação ao corpo humano aplica-se à vista de estátuas, quadros, fotografias, espetáculos, etc., e na medida, grau e proporção com que se pode excitar a própria sensualidade.

Quanto aos beijos e abraços, é preciso recordar que o que faz um pecado é a intenção. Assim, beijos e abraços com a intenção de se excitar e de excitar a outra pessoa, são realmente pecados graves, pois a intenção é pecaminosa. Amar significa também manter-se casto.

Em relação aos beijos apaixonados trocados por pessoas que já possuem um sério compromisso, é seguinte o parecer do Pe. Royo Marín:

602.2º. Beijos e abraços.

a) Constituem pecado mortal quando se pretender com eles excitar diretamente ao deleite venéreo, ainda que se trate de parentes e familiares (e com maior razão entre estes, pelo aspecto incestuoso de seus atos).

b) Podem ser mortais, com muita facilidade, os beijos passionais entre noivos (ainda que não se tente o prazer desonesto), sobretudo se são na boca e se prolongam algum tempo; pois é quase impossível que não representem um perigo próximo e notáveis movimentos carnais em si mesmo ou na outra pessoa. Quando menos, constituem uma falta grandíssima de caridade para com a pessoa amada, pelo grande perigo de pecar a que ela se expõe. É incrível que essas coisas sejam feitas feitas em nome do amor (!). Esta paixão cega não os deixa ver que esse ato de paixão sensual, longe de constituir um ato de verdadeiro e autêntico amor - que consiste em desejar fazer o bem ao ser amado -, constitui, na realidade, um ato de refinadíssimo egoísmo, posto que não hesita em satisfazer a própria sensualidade à custa de causar um grande dano moral à pessoa amada. Diga-se o mesmo dos toques, olhares, etc., entre esta classe de pessoas.

c) Um beijo rápido, suave e carinhoso dado a outra pessoa em testemunho de afeto, com boa intenção, sem escândalo para ninguém, sem perigo (ou muito remoto) de excitar a própria sensualidade ou do outro, não pode ser proibido em nome da moral cristã, sobretudo se há alguma causa razoável para ele; v.gr., entre prometidos formais, parentes, compatriotas (de onde seja costume), etc.

d) O que acabamos de dizer pode aplicar-se, na devida proporção, aos abraços e outras manifestações de afeto.

É preciso ter sempre em mente que o amor acontece entre dois sujeitos, e não entre um sujeito e um objeto. Por isso, a Igreja ensina a não transformar o outro em coisa, em brinquedo. Sobretudo se deve respeitar o corpo do ser amado como templo do Espírito Santo, caminhando com ele rumo ao céu, para que um dia possam concelebrar, junto com os anjos e com os santos, o amor de Deus.

Referência:
MARÍN, Antonio Royo, "Teología Moral para seglares - Moral Fundamental y especial", 600-602, p. 1533

Fonte: https://padrepauloricardo.org/episodios/quais-sao-as-caricias-permitidas-no-namoro

A origem das vestes

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Salve Maria Puríssima!

É importante preocupar-se com a forma de se vestir? 

No Livro de Gênesis no Cap. 2, 25 vemos que o homem e a mulher viviam nus e não se envergonhavam, mas, logo depois da queda houve uma preocupação em relação ao vestir-se, ao cobrir o corpo: "Então os seus olhos abriram-se; e, vendo que estavam nus, tomaram folhas de figueira, ligaram-nas e fizeram cinturas para si" (Gn 3, 7). E o mais interessante em tudo isto é notar que a forma da qual Adão e Eva se cobriram não agradou a Deus, então o próprio Deus faz uma veste, uma roupa para o casal: "Iahweh Deus fez para o homem e sua mulher túnicas de pele, e os vestiu" (Gn 3, 21). E porque será que Deus fez túnicas? Porque na túnica está presente todos os padrões exigidos pela modéstia, a túnica cobre todo o corpo e não marca, isto é, não deixa transparecer a forma do corpo.  A veste que Deus faz é bem diferente da veste que o casal havia feito. Provavelmente a roupa que o casal havia feito tampava somente os genitais e agora Deus faz uma que cobre todo o corpo. Deus sabe a desordem que o pecado causou no casal e que por isto a veste não podia cobrir somente os genitais.

Com isto, vemos como a questão das vestes entra no mundo, e que pelo fato do próprio Deus ter feito uma veste, mesmo que o casal já tivesse feita uma, nos mostra que não é qualquer forma de se vestir e de cobrir o corpo que agrada a Ele. Por isto, a veste, a roupa, é uma consequência do pecado. E de lá para cá sempre houve uma preocupação da Igreja em relação ao vestir-se. Até mesmo na Igreja Primitiva vemos esta preocupação com o vestir, o Apóstolo São Paulo diz: "Quero que as mulheres usem traje honesto, ataviando-se com modéstia e sobriedade" (I Tm 2, 9).

Deus quer então que usemos vestes honestas, isto é, vestes que não seja uma ocasião de pecado, como nos exortou o Papa Pio XII: "Se certo tipo de vestimenta constitui uma ocasião grave e imediata de pecado, e põe em perigo a salvação de sua alma e de outros, é seu dever desistir de usá-lo". 

Devemos nos preocupar com o nosso vestir, porque ele nos revela quem nós somos:

A VESTE de um homem, seu sorriso e o seu andar revelam o que ele é” (Cf. Eclesiástico 19, 30), isto na Tradução da Bíblia Jerusalém.

Já na Tradução da Ave-Maria está assim: “As VESTES do corpo, o riso dos dentes, e o modo de andar de um homem fazem-no revelar-se” (Cf. Eclesiástico 19, 27). E Santo Ambrósio ajunta que “na atitude corporal se vê a disposição do espírito” e que “o movimento corporal é como uma voz da alma”.

Daí a afirmação de Ambrósio: pelos movimentos exteriores é que julgamos se um homem, no fundo do seu coração, é leviano, arrogante ou perturbado; ou se, pelo contrário, é ponderado, constante, puro e amadurecido”.

Também o Catecismo da Igreja Católica nos ensina que: "A atitude corporal (gestos, roupa) há de traduzir o respeito, a solenidade, a alegria deste momento em que Cristo se torna nosso hóspede" (Catecismo da Igreja Católica n. 1387).

Vemos também que a questão das vestes, sempre foi uma preocupação da Igreja:

Papa Pio XII disse: Agora, muitas meninas não vêem nada de errado em seguir certos estilos desavergonhados, assim como muitas ovelhas. Elas certamente enrubesceriam se pudessem adivinhar a impressão que elas causam e os sentimentos que despertam em quem as vê”. (Alocução às Filhas de Maria Imaculada, 17 de julho de 1954).

Elas certamente enrubesceriam (a palavra enrubescer, significa, tornar-se vermelho)  se pudessem adivinhar a "impressão que elas causam e os sentimentos que despertam em quem as vê" afirma o Papa. Realmente dependendo da veste, curta, transparente, apertada e etc, gera um sentimento de pecado em quem vê. Pecados como, a impureza dos olhos, dos pensamentos, da masturbação, de adultério, já que Jesus nos adverte dizendo: "todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração" (Mt 5, 28).

Por isto afirma Santo Agostinho: “Em todos os vossos movimentos, nada se faça que ofenda os olhos de quem quer que seja, mas só o que convém à vossa santidade”.

o Papa Bento XV expressou seu choque por causa das mulheres que abraçam as tendências da moda. Ele escreveu: “Não se pode deplorar suficientemente a cegueira de tantas mulheres de qualquer idade e posição. Feitas de bobas por um desejo de agradar, elas não veem em que medida a indecência de suas roupas choca a cada homem honesto e ofende a Deus. A maioria delas ficaria enrubescida por causa deste tipo de vestuário, como por uma falta grave contra a modéstia cristã. Agora não basta exibir-se em vias públicas, elas não temem cruzar o limiar de igrejas, para assistir ao Santo Sacrifício da Missa, e até mesmo carregar o alimento sedutor das paixões vergonhosas para a mesa eucarística, onde se recebe o Autor da Pureza Celestial. E nem vamos falar das danças exóticas e bárbaras recentemente importadas para os círculos da moda, uma mais chocante que a outra; não se pode imaginar nada mais adequado para banir todos os resquícios de modéstia.” (Carta Encíclica Sacra Propediem, 6 de janeiro de 1921.)

Papa Pio XII: ”Ó mães cristãs, se vocês soubessem o que um futuro de ansiedades e perigos, de dúvidas depressivas, de mal suprimida vergonha vocês preparam para seus filhos e filhas, deixando-os imprudentemente acostumados a viver escassamente vestidos e fazê-los perder o senso de pudor, vocês teriam vergonha, e temeriam o dano que vocês estão causando a vocês mesmas, os danos que vocês estão causando a essas crianças, a quem o Céu confiou a vocês para serem educadas como cristãs”. (Alocução às Meninas da Ação Católica, 22 de maio de 1941.)

São João Crisóstomo instruiu as mulheres de todos os tempos sobre o vestuário, quando no século IV, ele declarou:

“Você carrega suas armadilhas e espalha suas redes em todos os lugares. Você alega que nunca convidou os outros ao pecado. Você não fez isso, certamente, por suas palavras, mas você tem feito isso através do seu vestuário e do seu comportamento. … Quando você fez com que outro cometesse pecado em seu coração, como pode ser inocente? Diga-me, quem é condenado neste mundo? Quem os juízes punem? Aqueles que bebem veneno ou aqueles que o preparam e administram a poção fatal? Você preparou o copo abominável, você tem dado a morte como bebida, e você é mais criminosa do que aqueles que envenenam o corpo, você assassina não o corpo, mas a alma. E não é aos inimigos que você faz isso, nem por qualquer necessidade imaginária, nem provocada pela injúria, mas por tola vaidade e orgulho.”

Num documento mais recente do ano de 1995 vemos que as coisas não mudaram, mas mostra que o pensamento da Igreja continua sendo o mesmo. Quero colocar aqui um parte do documento para que ninguém diga que as coisas mudaram depois do concílio Vaticano II.

O pudor e a modéstia:

"A prática do pudor e da modéstia, no falar, no agir e no vestir, é muito importante para criar um clima apropriado à conservação da castidade, mas isto deve ser bem motivado pelo respeito do próprio corpo e da dignidade dos outros. Como já se mencionou, os pais devem vigiar a fim de que certas modas e certas atitudes imorais não violem a integridade da casa" (Conselho Pontifício para a família, Sexualidade humana: verdade e significado n.56).


"O pudor é modéstia. Inspira o modo de vestir" (Catecismo da Igreja Católica n. 2522).

Por: Hélio Maria

Diálogo entre duas jovens cristãs

domingo, 28 de julho de 2013

SALVE MARIA IMACULADA! 

Texto extraído do livro "Audi Filia!, páginas para moças" pelo Padre Geraldo Pires de Souza, 3ª edição de 1937.


- Quem é tu que vens assim de mangas tão compridas, envolta nesta túnica talar, e de véu branco dominical?
- E tu, quem és, com essas vestes sem mangas e tão decotadas, e curtas... De cabelos muito cortados?
- Sou uma cristã do século XX.
- E eu, uma cristã dos primeiros séculos de fé.
- Teu nome?
- Domitila, Águeda, Cecília, Inez, (Filomena), como queiras chamar-me.
- O meu pode ser Haydée, Mimi, Zizi.
- Que nomes!
- Achas graça? Pois são muito eufônicos... E donde vens e para onde vais?
- Venho das catacumbas de Lucila. Passei a noite na cripta com os meus irmãos. Só na solidão e no silêncio da noite é que nos é possível, sem perigo, adorar a Deus.
- E vais ...
- Após pequeno descanso, visitar, na Suburra, uma escrava enferma, recolher o sangue e os despojos de uns mártires sacrificados hoje no Coliseu, cortar ramos de oliveira e apanhar flores para o seu túmulo (mártires). E tu?
- Volto de um baile social.
- De um baile? Como as meninas pagãs do meu tempo? E social? Então a sociedade cristã vive agora a bailar? E o grande perigo para tua alma?!
- Isso mesmo pergunta meu confessor.
- É? ...
- Digo-lhe sempre que nenhum. São todos moços educados.
- Moços educados! Por fora e por dentro? ...
- Só posso ver-lhes o exterior.
- De sorte que te preocupas só com o que aparece!
- Sim, senhora...
- E tu, menina do século XX, te julgas, como Aquiles, invulnerável? Donde esta tua fortaleza? (pra vencer a tentação)
- Faço as nove primeiras sextas-feiras, comungando nesses dias.
- Nove primeiras sextas-feiras para Jesus e os demais dias do mês para o mundo?
- !!...
- Nós comungamos todas as noites... Nas catacumbas.
- É muito comungar.
- É amar muito a nosso Senhor.
- Eu o amo também.
- Sei sim; nas nove primeiras sextas-feiras pela manhã.
- Vós viveis em tempos de perseguição. A Eucaristia é que é a vossa força.
- E a vós, menina cristã, ninguém vos persegue?
- Não!
- Não! E a vaidade? ... As amizades? ... As leituras? ... Os espetáculos e cinemas ...? Olha, menina: os Mandamentos de Deus são invariáveis. E por que te vestes assim, com estes braços e colo tão despidos? Com estas vestes tão ...?
- Mas! ... É a moda.
- E porque não se veste como cristã?
- Achar-me-ão ridícula. Queres que me vista como tu, com uma túnica tão comprida e ampla, com este véu dominical?
- Só quero ver em ti menos transparências. Sabes gramática?
- Estudo para professora.
- Muito bem. Pois os verbos transparecer, descobrir, adivinhar... Não se devem aplicar aos trajes da mulher cristã, nas suas relações com o corpo. Deve bastar-lhe o verbo cobrir... Tu me compreendes?
- Perfeitamente.
- Não te alegres por te acharem de talhe delgado, de ... Rejubila-te quando te achares um anjo de pureza e de beleza sobrenatural. Compreendes?
- Sim, sim.
- Pois medita sobre tudo isso, e adeus, senhorita Mimi.
- Adeus, Cecília.

(Grifos meus)  

Pequenina escrava de Amor da Santíssima Virgem Maria: Gislaide

Você quer realmente um namoro casto?

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

“Que bela é a santa pureza! Mas não é santa nem agradável a Deus, se a separamos do amor. O amor é a semente que crescerá e dará frutos saborosíssimos com a rega que é a pureza. Sem amor, a pureza é infecunda, e as suas águas estéreis convertem as almas num lamaçal, num charco imundo, donde saem baforadas de soberba.” São Josemaria Escrivá


Graças a Deus vemos crescer o número de pessoas com vontade de viver um relacionamento casto, mas com a nossa fraqueza incitada pelo pecado original sempre inventamos desculpas pra viver um namoro com a intenção de ser casto, mas que na prática não é tão casto assim. 

Existem várias questões a ser tratadas sobre o assunto, mas algumas delas são de suma importância e são as que serão tratadas aqui, essas questões giram em torno de um fundamento básico para se ter um relacionamento casto, é a nossa disposição ao sacrifício e vontade de proteger o outro para que ele não caia em pecado, a abrir mão de certos prazeres e caprichos próprios de vaidade se eles forem ocasião de pecado.
Deste modo podemos formular duas perguntas básicas que o casal ou os solteiros que querem viver um namoro casto devem-se fazer e refletir bastante para verem se realmente estão querendo um relacionamento limpo, a primeira tem a ver com a modéstia e o pudor, não há a mínima possibilidade de um relacionamento ser casto se o casal não se porta - no modo de se vestir e agir - de forma modesta, pois a falta de pudor provoca situações de pecado. 

A segunda questão tem a ver com certas formas de carinho que acontecem no namoro que se tornam ilícitas por também colocar o casal em ocasião próxima de pecado. Antes de colocar as questões, como este é um assunto bastante amplo e discutido, ao final do texto deixarei alguns links referentes aos assuntos abordados, recomendo e gostaria muito que lessem a fim de um melhor entendimento sobre assuntos que são de tão importância, isso lhes esclarecerá muitas dúvidas que podem surgir após a leituras destas questões.
A primeira é: Você mudaria o seu modo de vestir-se? Sabendo que certas roupas são provocantes, que incitam o olhar, você abriria mão de usá-las trocando-as por roupas modestas a fim de proteger o outro de não cair no pecado do olhar? Quem provoca gera um pensamento impuro no outro, e isso é o estopim para uma ação do mesmo modo.
"A modéstia não diz respeito somente ao exterior, porque a maneira com que nos vestimos é um sinal do nosso interior. É um sinal de que não precisamos ficar nos "atirando" visualmente para os rapazes, na esperança de ganhar sua atenção. Tenha certeza que nós temos o poder de fazer as cabeças se voltarem para nós. Mas também temos o poder de fazer os corações se voltarem para nós. Podemos procurar conduzir esses corações para o paraíso ou para nós mesmas. Mas quando fazemos a atenção deles se voltar para as partes do nosso corpo, estamos convidando-os a nos "amar" pelas coisas erradas. " Cristalina Evert [1]
E a segunda: Você abriria mão de ter beijos íntimos até o casamento? Sabendo que este tipo de beijo sempre provoca a libido e conseqüentemente coloca o casal em ocasião próxima de pecado - o que já é um pecado em si - você abriria mão de tê-los para proteger seu (ua) namorado (a)?
"Outro tema que costuma passar por alto é a situação de um homem e de uma mulher que, sentados no carro, se beijam - "só isso, carinhosamente" - durante um bom tempo. Além a tentação de cair num pecado sexual, aqui há um problema. O propósito do namoro é chegar a conhecer a outra pessoa para ver se seria conveniente casar-se com ela. os beijos prolongados não ajudam a alcançar esse objetivo. Geralmente, faz-se isso por ser agradável, não para se chegar a uma descoberta interpessoal. De modo que, ainda que os beijos prolongados não provoquem excitação (o que poderia ser caso para uma consulta médica), são contraproducentes para o namoro. São pelo menos um pecado contra a virtude da prudência.[...] Pôr-se voluntariamente em perigo de pecar já é um pecado.' 
Pe. Thomas Morrow [2]
Bem lá no fundo você sabe que o que está escrito acima é verdade, então reflita: Quem ama de verdade quer proteger o outro e faz os sacrifícios necessários para que ele não caia em pecado. Você faria estes sacrifícios pelo bem do outro? Quem não está disposto a fazer sacrifícios no namoro não terá forças para suportar os sacrifícios que a vida matrimonial pedirá no futuro.

Que a Virgem Santíssima e o Glorioso São José, seu casto esposo nos conduzam a termo neste caminho, pois ele só vale a pena se o objetivo for a maior Glória de Deus.
Links recomendados sobre as questões acima:


Parresía “Pudor e Modéstia”, do Pe. Paulo Ricardo de Azevedo.
 Tiago Martins
[1] Trecho do livro "Pure Womanhood" (Pura Feminilidade) de Crystalina Evert, San Diego, Ed. Catholic Answers, 2008.
[2] Retirado do livro: Namoro Cristão em um mundo supersexualizado, Pe. Thomas Morrow

Fonte:http://materdei1.blogspot.com.br/

Roupa de Missa - três cenas

terça-feira, 16 de outubro de 2012




Antes de iniciar qualquer argumentação neste artigo, gostaria de tratar de algumas cenas que podem acontecer neste contexto:
Cena 1 - Domingo, antes da missa, o católico (ou a católica) abre seu guarda-roupa e veste-se normalmente: se está calor, o moço coloca sua bermuda e camisa regata, e a moça sua blusa de alça e com decote com uma calça de ginástica, a roupa da moda. Vai à missa, afinal, "o que importa é o que está no coração";
 

Cena 2 - Domingo, o católico se depara com seu guarda-roupa e precisa peneirar para encontrar alguma roupa que se adeque ao momento: a Santa Missa. Sabe que precisa vestir-se com "certa" modéstia, então procura alguma roupa que não tenha nada decotado ou seja muito curto. Vai à missa satisfeito, afinal, está comportado e vestido "próprio para a ocasião";

Cena 3 - Domingo, um católico abre seu guarda-roupa e entre todas as suas roupas escolhe aquela mais apropriada, ou seja, aquela que é a mais bonita, a mais nova etc, a "roupa de missa", como era chamada antigamente. Não que as demais roupas não sejam apropriadas, mas é bom sempre agradar um pouco mais a Deus.
 
Partindo destas três cenas, é fácil perceber qual está completamente incorreta: a primeira. O clichê "o que importa é o que está no coração" só é dito por aqueles que se recusam a fazer algo mais para Deus, que se esquecem sobre a sacralidade de seu corpo e acham que o que está no coração não precisa se refletir no exterior. Entretanto, o que a Igreja prega e sempre pregou é que a piedade também deve ser demonstrada externamente: de que adianta eu dizer que respeito e honro a Deus, se me coloco à frente dEle como me colocaria na frente de um qualquer, em uma praia ou na academia? Mas e se fosse uma visita a um Rei, ao Presidente, será que me vestiria assim? Deus pode não "precisar" que nos visitamos com nossas melhores roupas, mas nós precisamos demonstrar nosso respeito e adoração por Ele da melhor forma que pudermos, interna e externamente. E isso com certeza será muito mais agradável ao olhos dEle, se estivermos bem dispostos no interior e no exterior.
No entanto, a segunda e a terceira cena podem parecer ter pouca diferença, mas há uma diferença gritante entre ambos os católicos apresentados. A segunda cena mostra um católico que tem "roupa decente para ir à missa" e "roupa indecente, que não dá para ir à missa". Mas... então pode usar roupa indecente fora da missa? Esta definição de hoje de "roupa de missa" é muito diferente de outrora, é uma definição que demonstra que não estamos impregnados com a castidade, com a modéstia, com o pudor em nosso dia-a-dia. O simples fato de sair da porta da Igreja não nos dá o direito de usar um decote avantajado ou uma saia curta, "porque está na moda". Todo o dia é dia para se policiar no vestir, para sermos espelho de Deus, para darmos testemunho com nosso exemplo.
Já na terceira cena, a "roupa de missa" como sempre foi vista: aquela nossa melhor roupa, a roupa mais nova, a mais bonita. Posso não ter mais que duas peças de roupa, mas aquela que é a que eu mais gosto, então é esta que irei usar. Posso ter apenas roupas doadas, se minhas condições não permitem comprar roupas novas, mas "aquela" roupa, a mais bonita, é a que irei usar. E é isso que importa aos olhos de Deus: não é ter uma roupa que custe milhões, mas dar o nosso melhor a Ele. Não como no primeiro caso, onde a pessoa acha que basta dar o seu "melhor interior", mas sim doar-se por inteiro, da maneira que estiver ao seu alcance, para agradar a Deus, como aquela mulher que deu apenas algumas moedas, mas estas poucas moedas eram tudo o que tinha. E neste último caso, a pessoa já está inteiramente junto de Deus no seu vestir, não tem a idéia de que roupas decotadas e curtas só não podem ser usadas dentro da Igreja. Seu exterior reflete o seu interior em todos os lugares e, principalmente, dentro da casa de Deus e diante do Sacrifício da Cruz.

Como a mulher se veste hoje



Por Daniel Pinheiro

Há algum tempo soubemos que um primo de nossa família, que mora no interior do Ceará, passou por uma grande dificuldade. Um dia, ligaram para ele de uma loja de São Paulo, dizendo que ele tinha uma dívida lá de mais de mil reais. Ele nunca foi pra São Paulo, e nunca fez compras nessa loja.
Ele descobriu, com isso tudo, que algum espertinho tinha aberto uma conta com os dados dele – identidade, CPF, e nome completo – em um banco de São Paulo, e tinha conseguido um certo crédito, usando-o para gastar mais de dois mil reais em várias lojas. Foi um tormento para ele provar que não tinha nada a ver com aquilo. Engraçado que ele não tem muitas contas, nem faz muitas compras por aí para que o número de seus documentos fique circulando pelo mundo. Depois disso tudo, ele redobrou os cuidados. Afinal de contas, seu nome e o número de seus documentos tinham sido usados por outras pessoas para proveitos egoístas.
Fiquei pensando, então, sobre a importância de guardar aquilo que é nosso, que tem valor para nós, para que não seja usado por pessoas que muitas vezes nem conhecemos. Imagine que uma grife quisesse divulgar uma nova moda de estampar nas camisetas o nome completo, o número do CPF e da identidade da pessoa. Creio que essa moda não ia pegar.
Ninguém, em sã consciência, sai por aí divulgando seus dados pessoais.
No entanto, temos algo de muito mais valioso que nosso nome, nosso dinheiro ou nossos documentos. É o nosso próprio corpo, que faz parte, da maneira mais íntima possível, do “todo” que somos como pessoas, como seres humanos.
Percebem como é ilógico que a moda e sociedade ditem parâmetros que fazem as mulheres mostrarem demais seu corpo? Ficaríamos surpresos com alguém que estampasse na camiseta o nome completo e o número dos seus documentos. Afinal de contas, alguém poderia usar aquilo para fins não muito bons, em detrimento da própria pessoa. Muito mais, porém, deveríamos nos espantar ao ver mulheres que mostram demais o próprio corpo, que é muito mais valioso do que nome ou documentos. Assim, de certo modo, elas se permitem ser usadas por aqueles que, certamente, olharão para ela com luxúria. Há prejuízos na dignidade tanto de quem olha como de quem é vista.
Tudo isso nos faz pensar como é sedutor o discurso da moda, da sociedade, da “revolução sexual”, para que tenhamos chegado ao ponto de considerar normal, natural, e desejável esse tipo de “uso” do corpo.
O Papa João Paulo II disse que há uma oposição entre o amor e a atitude de “usar” uma pessoa para o próprio deleite. Ele chama essa atitude de “utilitarista”, e lhe faz muitas críticas. Segundo ele, “o utilitarismo introduz uma relação paradoxal: cada uma das duas pessoas toma fundamentalmente a atitude de assegurar o próprio egoísmo, e ao mesmo tempo concordar em servir ao egoísmo do outro, desde que isso lhe ofereça a ocasião de satisfazer o próprio egoísmo. (…) [Essa atitude] prova essencialmente que a pessoa (…) se rebaixa ao nível de meio, de instrumento, (…) [o utilitarismo] é uma espécie de antítese do amor” (Amor e Responsabilidade, p. 33).
Para João Paulo II, só o amor dignifica a pessoa. Em suas palavras, “a pessoa é um bem tal que só o amor se relaciona com ela própria e plenamente”.
E então? Que tal agora se perguntar sobre a maneira como me visto e me comporto? Será que ela está induzindo o outro a me ver como um “instrumento” para seu prazer, em uma atitude “utilitarista”? Ou será que ela está suscitando no outro o desejo de me amar pela minha pessoa inteira, corpo e alma, e não só o corpo?

As modas "sexy": o que pensam os homens



Por Mike Mathews -  Tradução Aline Rocha

Como de fato afetam, aos homens, as roupas “sexys” das mulheres? Como homem, eu gostaria de explicar. Freqüentemente, vejo mulheres a usar calças jeans apertadas, vestidos ajustados ao corpo e mini-saias. Algumas usam calças “rasgadas”, blusas decotadas e suéteres apertados, enquanto que outras mostram partes de seus sutiãs aqui ou ali. As mulheres estão vestindo modas “sexy” em todos os lugares: nas escolas, no trabalho e até na Igreja.

Com essas atitudes exibicionistas como que elas querem ser honradas e respeitadas pelos homens? Às vezes, pergunto-me no meu interior quais serão os motivos que as leva a agir dessa forma. Será que estão tratando de ser atrativas e estar na moda? Ou estão buscando algo mais? Elas tem noção de quais os sinais que estão enviando aos homens? Elas estão em busca de atenção? – ou estão tentando encontrar um bom marido e um amor seguro? Querem conseguir um encontro ou incrementar a confiança em si mesmas? Podem ser estas as razões ou existem outras? Mas o certo é que ao vestir-se “sexy” nunca conseguirão com que os homens lhes honrem ou as respeitem. De fato, na realidade, é quase certo que os homens não as honraram nem as respeitaram. Se você quer que um homem a respeite, e talvez se enamore, então, você deve mostrar auto-respeito e reconhecer sua dignidade perante Deus. A melhor maneira de mostrar isto é a modéstia no vestir-se, nas palavras, nos pensamentos e nas ações.

O que provoca pensamentos sexuais nos homens?
É natural querer vestir-se de modo atraente. Mas às vezes, sem até dar-se conta, as mulheres que vestem roupas “sexys” estão se “vestindo para o sexo” – isto é, se veste de tal forma que provoca pensamentos sexuais nos homens. Por que os homens reagem dessa maneira e por que as mulheres nem sempre se dão conta disso? Porque os homens e as mulheres são feitos de maneira diferente no que se refere ao corpo humano. O fato é que não se necessita muito estímulo visual para que os homens se excitem sexualmente. A visão do corpo feminino, ainda que seja pouco, e ainda que a moça seja completamente desconhecida, pode despertar pensamentos sexuais instantaneamente. Isto pode ser difícil de entender para as mulheres, mas é a mais pura verdade.
E as mulheres? Minhas amigas dizem-me que, certamente, as mulheres apreciam os homens bonitos, mas não são afetadas visualmente na mesma intensidade que os homens. Elas pensam, por exemplo, que as palavras de amor, a ternura e o apreço sincero são muito mais significativos que o porte físico dos homens. Dadas estas diferenças, não há dúvidas que as roupas “sexys” chamarão a atenção do homem. Para algumas mulheres, isto pode ser divertido a princípio, mas ao final não será, porque não vai atrair o tipo de atenção – ou o homem – que uma mulher deseja. Por quê? Porque as moças que usam roupas atraentes, causa nos homens somente a libido e vontade de “usá-las” sexualmente em lugar de amá-las por quem são.
Não se esqueça, o ato de ver o corpo de uma mulher é um estímulo tão forte para o homem que, ao menos que ele tenha se treinado ou seja altamente disciplinado, haverá situações difíceis para ele controlar seus pensamentos sexuais. E uma vez que estes pensamentos comecem, freqüentemente se convertem em pensamentos impuros como “se pudéssemos estar sozinhos” ou “eu gostaria muito de fazer…”. Isso se chama luxúria, e as roupas que as mulheres usam pode despertar esses pensamentos em um segundo. Sim, os homens são culpáveis de se alimentarem de pensamentos luxuriosos. Mas os homens decentes querem evitar estes pensamentos e esperam que as mulheres os ajudem, através da exercitação da virtude e usando roupas modestas que não os conduza a ter fortes tentações.

O que faz com que os homens vejam as mulheres como objetos sexuais?
Mesmo que você saiba ou não, se você usa roupas que mostre seu corpo, muitos homens lhe verão como um objeto sexual. Não somente isso, mas a maneira que você se veste pode afetar também como estes homens vêem as outras mulheres. Quando os homens estão dispostos a ver uma mulher sob o domínio de luxúria, eles tendem a desenvolver uma visão distorcida de todas, fazendo com que vejam e tratem as outras mulheres com que eles se encontrarão depois, como objetos sexuais.
Tendo consciência ou não, se você se apresenta de uma maneira sexualmente reveladora – ainda que ligeiramente – muitos homens desejarão ter seu corpo para o seu prazer, sem preocupar-se em considerar-te como uma pessoa. Muitos homens lhe verão como sexualmente fácil. Outros, estarão constantemente distraídos com tentações sexuais e lhes será difícil chegar a te conhecer como a pessoa maravilhosa que você é.
Alguns atacar-te-ão verbalmente ou dir-te-ão qualquer coisa que você deseja  ouvir, somente para te levar à cama. E ainda outros tratarão de manusear-te e até violar-te. Porém, deixa-me ser claro: não importa como se veste uma mulher, isso nunca é uma desculpa para o estupro, ou para a agressão sexual de nenhuma classe. Os homens que cometem estes atos realizam um monstruoso pecado e um crime atroz. Nada do que estou dizendo é uma desculpa ou razão para que algum homem viole uma mulher ou cometa qualquer outro crime.
E, por certo, não te deixes enganar pelas revistas femininas que fazem parecer que cada rapaz está buscando somente sexo e mostram como “você tem que te vestir sexy” para conseguir um bom namorado, ou esposo. Isso não é verdade. Somente os homens que querem se aproveitar de ti sexualmente, animar-te-ão para que te vistas dessa maneira. Você não tem que exibir teu corpo para encontrar um bom homem.

Faça que ele ame teu “eu” interior!
Então, que tipo de atenção você realmente quer? A maior parte das mulheres quer ser amada e respeitada pelo que elas são interiormente, não pelo seu visual. Não é isso o que você quer? Você não quer ser amada por um homem sincero, puro e virtuoso que tem confiança em si mesmo, é disciplinado e está comprometido com a relação de vocês? Eu sei que você não quer ser “usada” pelos homens, e que não quer estar em uma relação, ou se casar com um homem que não tem controle de si mesmo – um homem que busca satisfações rápidas ou que deseja cada menina bonita que ele vê.
A Katherine Kersten, comentarista do “National Public Radio” e presidenta da junta diretiva de “Center of the American Experiment”, escreveu: “A modéstia implica algo mais: simples justiça. Nós, mulheres, pedimos respeito da parte dos homens, insistindo para que eles nos valorizem não por nossa aparência, mas por quem somos. É uma hipocrisia dizer isto e, ao mesmo tempo, vestir-se e atuar imodestamente, provocando intencionalmente o desejo sexual e dando sinais de estar facilmente aberta a esses desejos. Atuar desta maneira é ferir nossa própria dignidade, é tratar-nos a nós mesmas como objetos sexuais. Além de tudo, é verdadeiramente injusto, porque significaria que nós estamos considerando que os homens estão em uma posição mais alta”.

Prepara-te para o amor duradouro
Se estás buscando um amor duradouro e um matrimônio para toda a vida, que una as mentes, as almas e os corpos, a melhor maneira de consegui-lo é sendo o tipo de pessoa que você quer seu futuro esposo seja. Pensa em você mesma e em seu futuro cônjuge como alguém com integridade, com uma personalidade vital e um caráter firme. Se você desenvolver estas qualidades e as demonstrar por meio das palavras, ações e aparência, ajudará a atrair o mesmo em teu esposo. Há muitos homens bons por aí; homens que têm personalidades maravilhosas, homens que são respeitosos, inteligentes e que buscam uma relação duradoura; homens que serão fiéis e que se comprometeram com sua esposa por toda a vida. Para encontrar um homem verdadeiramente honrável como este, recorda que ele se sentirá atraído por uma mulher que se veste modestamente como sinal de pureza; por alguém que reconhece que cada pessoa foi criada à imagem e semelhança de Deus. Ao vestir-se modestamente, uma mulher mostra que sabe que fomos feitos para amar e ser amados, como pessoas únicas e irrepetíveis. Ela também mostra respeito por seu corpo e por sua alma imortal, dois dons sagrados que devem ser tratados com dignidade e respeito.
Como homem, deixe-me terminar dizendo que aprecio sinceramente as mulheres que fazem um grande esforço para vestir-se modestamente. Conheço várias mulheres atrativas que sempre se vestem com lindas roupas e estilos modestos. O que faz estás mulheres ainda mais atrativas que sua beleza física e a roupa de moda que estão usando, é sua modéstia. É a virtude que as fazem brilhar de uma forma bela. Mostram que são respeitáveis, que têm uma fortaleza interior e uma grande auto-estima. A modéstia mostra também um coração puro e um desejo generoso de guardar-se para um futuro esposo. Pensa por um momento: o que dizem suas roupas de você mesma?

P.S.: A modéstia é uma bela virtude! Os homens também se beneficiam dela quando eles a praticam em seus pensamentos, palavras e ações.